O retorno dos atendimentos nas delegacias de Franca ocorreu sem filas e transtornos no primeiro dia da suspensão de 48 horas do movimento grevista da Polícia Civil, em uma espécie de trégua com o governo do Estado. Ao todo foram registradas 42 ocorrências nos cinco distritos policiais da cidade, entre BOs (Boletins de Ocorrência) e TCs (Termos Circunstanciados).
A média antes da greve era próxima disso, ficando em 45 por dia. Já no dia 20 de setembro, auge da manifestação que havia começado quatro dias antes, foram registradas apenas nove ocorrências. Na ocasião, só eram registrados BOs em casos de prisões em flagrante.
No retorno às atividades, não houve filas nem tumultos em nenhuma das delegacias. Mesmo na Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito), onde a expectativa era de bastante movimento - por conta dos documentos retidos com a greve, como Carteiras de Habilitação e licenciamento de veículos -, o clima foi tranqüilo.
“Está normal. Está calmo, funcionando normalmente. A vistoria teve um movimento maior, mas em relação à documentação, o movimento está normal”, disse o delegado Marcelo Caleiro, que voltou ao posto de delegado-titular da Ciretran na segunda, após o término das eleições em que era candidato a vereador.
No 5º Distrito Policial, que atende a região norte da cidade, também não houve problemas no atendimento. “Claro que houve um movimento um pouco maior que o normal, mas ficou até abaixo do que esperávamos para um retorno”, disse o delegado Hélder Rodrigues.
O ACORDO
A suspensão por 48 horas da greve da Polícia Civil foi decidida na última segunda-feira, após uma reunião entre as entidades que representam os policiais. A reunião foi marcada após a divulgação pelo comando da greve de que havia uma proposta feita pelo governo do Estado de extinguir as duas classes mais baixas da hierarquia institucional da Polícia Civil - o que resultaria em um nivelamento salarial para os que recebem menos - e um reajuste de 6,2%. O Palácio dos Bandeirantes nega que tenha feito tal oferta.
Alegações à parte, a Adpesp (Associação dos Delegados do Estado de São Paulo) acredita que o governo está mais disposto a negociar que no início da greve e que isso motivou a suspensão da greve. “O presidente da Associação dos Delegados acabou tomando a frente nessa decisão e foi apoiado pelas associações dos escrivães, dos investigadores e dos policiais civis no sentido de romper esse ciclo vicioso da greve”, disse o delegado Alan Bazalha. Se no período não houver acordo, a greve será retomada amanhã.
Já o Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo é contra a suspensão e quer encerrar a paralisação apenas depois que for fechado um acordo. Em Franca, a proposta de suspensão foi apresentada aos policiais na segunda-feira e cerca de 90% teriam aprovado o retorno dos trabalhos por 48 horas.
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