Das telinhas para as ruas


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A paixão por séries, filmes, jogos e desenhos animados pode virar a cabeça das pessoas. É sério! Por todo o Brasil, fãs de personagens (principalmente japoneses) transformaram essa paixão em um divertido hobby: o Cosplay. A palavra é uma abreviação de “Costume Player” em inglês, que significa “aquele que brinca de se fantasiar”. Mas quem nunca sentiu vontade de se transformar em um Jedi dos filmes de Guerra nas Estrelas, por exemplo, com aquelas túnicas? Ou vestir um uniforme da ISS Enterprise e ficar parecido com o Capitão Kirk ou com o Spock (com suas orelhas pontudas) da série Jornada nas Estrelas? O estudante francano Patrick Stanley Ortiz Moreli, 17, adora o desenho animado japonês Naruto, especialmente o personagem “Aburame Shino”, que tem a habilidade de manipular insetos. E gosta tanto que mandou fazer uma roupa igual a dele. “Acho que Aburame e eu temos personalidades parecidas: somos muito sérios”, explicou. Patrick contou que é fã do desenho desde o primeiro episódio que assistiu, mas a idéia do cosplay veio depois que viu alguns amigos caracterizados. “Uma vez por ano, a galera se reúne aqui em Franca em um evento chamado Dia D de RPG (tipo de jogo em que os jogadores assumem os papeis de personagens e criam as narrativas juntos). No encontro de 2007, vi o pessoal fantasiado pela primeira vez e adorei”, disse empolgado. Lá ele conheceu o consultor da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) Daniel Colicchio Aliprandini, 24, que estava vestido como um dos personagens de Naruto. “Cosplay é meu hobby há 6 anos. Já me vesti de uma porção de coisas. Harry Potter, cavaleiro Jedi e agora por último como o personagem Kida, que escolhi porque temos o mesmo interesse por lobos e cachorros”, disse. Mais experiente, Okami, como Daniel é conhecido, reclama que há poucas oportunidades de mostrar a fantasia. “A gente só se veste para eventos específicos. Aqui em Franca temos apenas um por ano. Para encontrar outros cosplayers temos que ir a Ribeirão Preto e São Paulo.” Completando o trio de Naruto, descobrimos o estudante Willian Souza Lopes caracterizado como Sasuke. Ele tem 17 anos e é aluno do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual “Torquato Caleiro”. E o que ele tem em comum com o personagem? De acordo com Willian, a atitude anti-social. “Ele é legal. Tem o poder de ver coisas que os outros não vêem. Foi muito simples me caracterizar. Parte da fantasia eu já tinha, só tive que mandar adaptar uma de minhas camisetas. Não gastei mais de R$15”, disse. E o cosplay não é só a roupa. Durante os eventos, é preciso fazer uma performance e agir como o personagem. De tudo, segundo eles, o mais legal é a reação das pessoas quando eles aparecem fantasiados nos lugares. “Quando a gente anda pelas ruas caracterizado, quem não conhece estranha e às vezes tira sarro. Mas tem quem goste. Os fãs do desenho fazem questão de tirar fotos e as crianças, principalmente, adoram”, finalizou Patrick. O QUE É? A palavra “cosplay” é uma abreviação de costume player em inglês, que significa, em uma tradução livre, “aquele que brinca de se fantasiar”. Reza a lenda que a atividade surgiu nos Estados Unidos em convenções de quadrinhos na década de 70, quando fizeram uma promoção onde as pessoas com fantasias de super-heróis entrariam de graça. A idéia chegou ao Brasil no fim da década de 80 em reuniões de amantes da série Jornada nas Estrelas. O termo cosplay, no entanto, surgiu na década de 90 no Japão, com os Cavaleiros do Zodíaco. Começaram, então, a ser organizadas as primeiras convenções de anime e mangá (quadrinhos japoneses) no País, com concursos e tudo. Hoje, há competições nacionais e internacionais promovidas por grandes empresas com apoio de editoras e que contam com mais de 2 mil inscritos e 20 etapas eliminatórias.

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