Finalizada a apuração, penso que analisar o resultado das eleições em Franca desvinculando a eleição majoritária (prefeito) da proporcional (vereadores) seja um equívoco. Há uma forte correspondência entre elas. A vitória de Sidnei Franco da Rocha (PSDB) foi arrasadora e lhe dá toda legitimidade. O resultado da votação para a Câmara de Vereadores mostra que os partidos que apoiaram a candidatura do prefeito reeleito fizeram também expressiva votação: venceram, com larga margem, a eleição proporcional: das 15 cadeiras elegeram 13 vereadores.
A derrota de Gilson Pelizaro(PT) para a prefeitura teve correspondência direta na votação para a Câmara. O PT elegeu apenas 2 vereadores, o PPS e o PC do B nenhum. Outros partidos menores (PV, PHS, etc.) morreram na praia. As candidaturas confecionais de esquerda ocuparam um espaço que foi deixado vazio, mas o resultado foi pífio. A polarização não foi frutífera para a oposição.
A futura Câmara de Vereadores terá apenas cinco partidos representados. Será uma boa experiência para aqueles que pensam que o melhor para a democracia seria reduzir o número de partidos.
Na futura Câmara, aparentemente, deverá ser mais fácil o executivo negociar com o legislativo já que a maioria situacionista é expressiva e não haverá as supostas dificuldades impostas pelos pequenos partidos. Alguns podem pensar que, enfim, chegamos à modernidade política e que o eleitorado de Franca fez, por si, a reforma política e partidária ansiada pelo país. Tudo a ser confirmado nos próximos quatro anos.
Mas seria importante pensar na relação entre política e sociedade brasileira já que Franca não é uma “cidade-Estado”, como na Antiguidade, embora algumas pessoas teimem nesse raciocínio. Na futura Câmara não há nenhuma novidade, dentre os eleitos, salvo um ou outro novato. A renovação não foi em nada expressiva. Mas é significativo que o Democratas, que conta em Franca com o Deputado Estadual Gilson de Souza, não tenha conseguido fazer um único vereador. Logo agora que Gilberto Kassab desponta como a novidade dessa campanha eleitoral em São Paulo.
O mesmo pode-se dizer do PMDB, que paga caro pela equivocada estratégia eleitoral e também ficou sem representante na Câmara. Temendo a aposta de ser o grande legitimador de uma “terceira força” na eleição majoritária, que teria André Jorge do PPS como candidato, o PMDB cedeu ao mais fácil de “ficar com quem vai ganhar”. O resultado foi desastroso.
Mas, não é exagerado afirmar que a eleição de Franca expressa, ademais, os diversos sintomas da nossa crise contemporânea. Como em muitos lugares, fez-se a opção pelo centro político, onde vigora o administracionismo do político pragmático. Quase todos ambicionam esse perfil, às expensas da máquina pública ou se apoiando em corporações sociais.
Ao lado disso, parece que o único campo de idéias legitimado é o da religião, de onde emergem lideranças com poucas virtudes públicas e coletivas. Tudo isso empurra a idéia de bem comum, de projetos políticos públicos, para uma zona cinzenta. É a reiteração da crise do nosso tempo que se manifesta mais uma vez. Assim parece estar nossa cidade e o Brasil.
Alberto Aggio
É professor de História da UNESP/Franca
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