Sobre eleições e eleitos


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Tendo acompanhado o processo eleitoral em Franca mais de perto a partir de 1982, participando das coberturas do Comércio, nunca deixo de me surpreender não só com os resultados mas também com as mudanças que se processaram desde então. O Comércio da Franca, neste período (e bem antes disso), sempre se destacou por sua cobertura, algumas vezes em conjunto com emissoras de rádio da cidade inclusive com a Difusora, hoje integrante do Grupo Corrêa Neves de Comunicação. E neste tempo todo, sempre priorizou a informação precisa e a apresentação adequada dos resultados aos seus leitores, acompanhando o pleito a fundo, seguindo as apurações dos votos madrugada adentro para melhor noticiar. Em 26 anos de cobertura político-eleitoral, não posso deixar de notar que, embora grandes mudanças tenham se processado nos partidos e seus integrantes (embora o hoje prefeito reeleito Sidnei Rocha tenha sido o vencedor em 1982 e muitos nomes da política local daquela época ainda estejam na ativa), com o surgimento de novas lideranças, ainda sou obrigado a reconhecer: assim como no século passado, o sistema eleitoral brasileiro ainda é perverso para quem concorre a cargos minotários. Há muito a lei eleitoral merece mudanças. Creio, diante das observações que venho fazendo a cada disputa eleitoral, que o famigerado quociente eleitoral deveria ser abolido de vez. Afinal, o eleitor brasileiro não vota em partidos (com raras exceções), mas sim nos candidatos. Desta forma, o resultado da composição das Câmaras de Vereadores dificilmente reflete a vontade popular: candidatos mais votados acabam sendo preteridos por outros, que tiveram menos votos. É uma vitória falsa, já que não é o número de votos que cada um recebeu que conta. Ao lado do voto distrital, o fim do quociente eleitoral e dos suplentes de senadores (que são empossados sem terem tido um voto sequer) são mudanças que urgem para que as eleições brasileiras sejam mais justas. Também não se pode deixar de lado a questão da fidelidade partidária. Existem hoje aqueles que “pulam de galho em galho”, de acordo com as conveniências e as vantagens que acreditam conseguir. Uma prática condenável, a qual permite o surgimento de legendas de aluguel, que abrigam políticos dos mais diversos matizes e de tendências muitas vezes conflitantes. Se não houver uma completa reforma política, que extirpe práticas espúrias, tornando ainda mais transparente e descomplicado o ato de votar e ser votado, não adianta nada contarmos com um dos sistemas mais seguros para coletar os votos dos eleitores — com a urna eletrônica, um instrumento revolucionário e que coloca o Brasil na vanguarda — enquanto se permitir que candidatos sem nenhum voto tenham mandato ou que outros ocupem cargos públicos no lugar de quem teve mais votos — sem tomar conhecimento da real vontade popular. Sidnei Ribeiro Jornalista, editor do Caderno Brasil, deste jornal

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