Três pessoas são detidas por dia com drogas


| Tempo de leitura: 2 min
NO FORNO - Polícia Civil incinera maconha apreendida em operação realizada perto de Ituverava, em setembro: droga é a mais comum junto a usuários
NO FORNO - Polícia Civil incinera maconha apreendida em operação realizada perto de Ituverava, em setembro: droga é a mais comum junto a usuários
Cerca de 630 pessoas foram encaminhadas às delegacias da cidade nos primeiros oito meses do ano por porte de drogas - uma média de três por dia. Das ocorrências, 70%, ou 440 pessoas carregavam maconha na hora da abordagem. Estas pessoas, no entanto, portavam pequenas quantidades de droga, o que as caracteriza como usuários e não traficantes. Assim sendo, pela nova legislação em vigor no País, elas são apenas fichadas, sendo liberadas em seguida. Os dados são de um levantamento realizado pelo Comércio e apontam ainda que o crack é a segunda droga com maior número de apreensão por porte de entorpecentes, com 102 casos. Em seguida aparece a cocaína, com 75 ocorrências. A nova Lei Antidrogas, sancionada em 2006, prevê a prisão apenas em caso de tráfico. A legislação discriminaliza o usuário e prevê penas alternativas, como prestações de serviço à comunidade. Para o delegado responsável pelo setor de inteligência da polícia de Franca, Wanir José da Silveira, que também já atuou na Dise (Delegacia sobre Investigação de Entorpecentes), o maior número de apreensões de maconha em relação às demais drogas se deve ao fato de que esta, geralmente, é o primeiro entorpecente utilizado pelo usuário. “É a mais acessível e a primeira droga que a pessoa começa a utilizar. Geralmente a pessoa entra no uso de entorpecentes com a maconha”. Além disso, Wanir cita a questão financeira como um dos motivos de a maconha ser a droga mais apreendida. “A cocaína é mais elitizada. Pessoas de classe média alta são quem mais usa. Agora a maconha é mais utilizada pela molecada mesmo”. O delegado diz ainda que, apesar de não poder oferecer dados oficiais, o número de usuários de crack vem aumentando. “Usuários de crack estão aumentando, porque as pessoas começam com a maconha e migram para o crack. É uma coisa que preocupa muito porque o crack é o que mais vicia. O crack é mais devastador”. TRAFICANTES Apesar de descriminalizar o usuário, a lei antidrogas traz penas mais rígidas para traficantes. A pena mínima para este tipo de delito, que era de três anos antes de 2006, subiu para cinco, podendo chegar a até 15 anos, sem fiança ou outros benefícios. Outra novidade da lei é a criação do financiador de tráfico, que pode gerar uma punição de oito a 20 anos de cadeia. Ainda em relação aos usuários, a nova legislação estabelece que o julgamento seja em juizados especiais, com o objetivo de desvincular o consumo ao tráfico. A lei antidrogas causou bastante polêmica durante sua promulgação, com defensores e críticos expondo seus pontos de vista.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários