Localizada em um sítio entre Cristais Paulista e Franca, a Casa de Recuperação “Encontro com a Vida”, tema de reportagem do Comércio publicada no dia 19 de setembro por funcionar clandestinamente, continua a exercer suas atividades normalmente.
A casa abriga aproximadamente 30 internos para tratamento contra a dependência química, mas não oferece as condições ideais para o atendimento. Além das instalações precárias, não há assistente social, psicólogos nem infra-estrutura adequada.
O secretário de Desenvolvimento e Ação Social de Franca, Roberto Nunes Rocha, disse que não envia pessoas de Franca para o local. Ele garante que o Abrigo Provisório não encaminha moradores de rua para entidades não cadastradas, como a “Encontro com a Vida”, mas admitiu que não impede que os próprios moradores de rua escolham a instituição. “Alguns moradores de rua daquela região escolhem ir pra lá”, disse.
O prefeito de Cristais, Hélio Kondo, disse que não há na casa nenhuma pessoa de sua cidade, mas que mesmo assim se reuniu com o Rotary Clube para promover atividades com o objetivo de angariar fundos para a entidade e ajudar. O problema é que a casa não tem documentação e esse tipo de iniciativa fica praticamente impossível.
Para se ter uma idéia, a instituição permanece sem registro no Conselho das Entidades Assistenciais e sem alvará da Vigilância Sanitária. Por essa razão, para o prefeito, o local deveria ser fechado e os internos “devolvidos para Franca”. “Vou conversar com o Roberto (Nunes) para saber como estão mandando essas pessoas para cá. Se eles (a Prefeitura de Franca) têm algum documento ou simplesmente recolhem e mandam para cá”.
O local, que não possui ligação de esgoto ou energia elétrica e capta água de um córrego nas proximidades, não é reco- nhecido pelo Conselho das Entidades, informou seu diretor Selvino Alves da Silva, que mantém há dez anos um escritório em Franca e um sítio na zona rural. “Não conheço a situação e nunca nem ouvi falar dessa entidade. Não temos nenhuma visita programada”, disse, Elenir Cintra Malta, presidente do conselho. Enquanto isso, o local continua sendo alvo de reclamações dos moradores da região.
“A casa abriga pessas com problemas e que vivem fu-gindo e sempre acabam roubando alguma coisa dos sítios aqui de perto. Ficamos inseguros.Lá não tem nenhuma fiscalização”, disse uma morador das redondezas, que pediu para não ser identificado.
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