Os irmãos Felipe, 9, Caio, 7, e Ana Júlia, 1, estão vivendo apenas com a mãe desde que o pai deles foi preso, em janeiro de 2008, por tráfico de drogas. Moram numa casa de três cômodos simples, na Vila Rezende. A situação da família está difícil e as crianças têm passado vontade de comer alguns alimentos. Sorvete, lanches e bolacha recheada são os pedidos mais comuns do trio. “Tenho vontade de comer cachorro-quente”, disse Felipe.
Juliana Egea, 28, mãe das crianças, disse que recebe apenas R$ 200 por mês costurando sapatos. Só de aluguel, paga R$ 150. “Meus filhos me pedem as coisas e eu não posso dar. Eles pedem lanche e bolacha recheada, porque estavam acostumados a comer. Eu não tenho dinheiro para comprar. Nem sapatos e roupas compro mais para eles”, disse, chorando.
Para sobreviver, Juliana conta com apoio de sua mãe, a costureira manual Neuza Carvalho, 49, e doações de vizinhos e conhecidos. “O vizinho doa caixa de leite e cesta básica. Uma amiga minha traz bolachas para meus filhos quando recebe. Minha mãe me ajuda a pagar aluguel, compra comida e divide comigo e meus filhos”.
Juliana disse que já entrou em contato com a Prefeitura, mas não pôde se inscrever em programas de transferência de renda porque o filho, na ocasião, estava sem freqüentar a escola. “Quando meu marido foi preso, um dos meus meninos teve problemas e precisou se tratar com psicóloga. Ele ficou os seis primeiros meses deste ano sem ir às aulas. Não pude me inscrever porque ele estava sem estudar”, disse a mãe (leia mais nesta página). Antes de ir preso, o marido fazia bicos e, com o dinheiro do tráfico, ajudava no sustento da família.
A vontade dela é conseguir um emprego, além da costura de calçados para aumentar a renda. Mas ela precisa conseguir trabalho no período noturno. “À noite meus filhos estão dormindo e minha mãe pode cuidar deles enquanto eu trabalho em algum restaurante ou pizzaria. Minha caçula é muito apegada a mim, ainda mama e, com isso, fica mais difícil deixá-la durante o dia”, disse Juliana.
O secretário de Desenvolvimento Humano e Ação Social, Roberto Nunes Rocha, disse que Juliana deve procurar pelo Cras (Centro de Referência e Assistência Social) da região Oeste para ser acompanhada. “Ela não pode perder o vínculo com o Cras para que a equipe a acompanhe e encaminhe para os programas necessários”. A família mora na Rua Alfredo Casale, 786, na Vila Rezende.
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