A Igreja celebra o 27º domingo do tempo litúrgico “comum” com as leituras da palavra de Deus colhidas do livro do profeta Isaías, a Carta aos Filipenses e um trecho do capítulo 21 de São Mateus.
A Palavra de Deus que nos é dita hoje é sequência do domingo anterior e completa-lhe o significado. A primeira leitura nos fala da vinha. A vinha é uma lavoura muito vasta e bem cuidada na qual são plantadas as videiras, e estas são as plantas que produzem a uva com a qual se fabrica o vinho. A videira é uma planta delicada e precisa de muitos cuidados.
O profeta Isaías apresenta a história de uma vinha. Ele faz de conta que é amigo de um agricultor que tem uma vinha à qual o dono aprecia muito.
Por que gosta dela tanto assim? Porque se trata de uma vinha muito especial: foi plantada com videiras escolhidas, de cepas nobres, vigorosas, que ele importou do exterior e que lhe custaram muito dinheiro. O lugar escolhido para plantá-la é privilegiado e o terreno está bem cuidado... até proteção existe.
O tempo passa e a decepção chega: o tão sonhado vinhedo produziu somente uva ácida, amarga, intragável.
Todos os pormenores desta história têm um sentido simbólico.
É a canção de amor que descreve a vinha querida, porém ingrata. Lembra a relação amorosa entre Deus e seu povo, vinha amada, mas infiel.
O Senhor é Deus; as videiras selecionadas são os israelitas que o Senhor foi buscar lá fora, no Egito; a terra fértil na qual este povo foi transplantado é a Palestina; as pedras que foram removidas, eram os povos que ocupavam a Palestina antes da chegada dos israelitas, a torre de proteção é a dinastia de Davi.
Os frutos tão aguardados eram as boas obras que Deus esperava encontrar no seu povo: a fidelidade à aliança, a justiça social, o amor ao pobre.
Na verdade o que se encontrou foi maldade! A vinha foi destruída.
Do texto brota uma lição para nossa vida: é perigoso ter profunda convicção de uma fé muito sólida e produzir somente a aparência das obras da fé. É muito perigoso e revela infidelidade quando as atitudes são somente ritualismos, exterioridades, futilidade, espetáculo.
Na história desta vinha contrapõem-se duas atitudes: a de Deus e a de Israel. Deus executa gestos de amor e o povo responde com ritos, com manifestações superficiais de religiosidade.
No evangelho Jesus se serve de uma comparação semelhante. Aqui a vinha produz frutos, são outros que criam problemas: os meeiros. Além de impedir que os bons frutos cheguem ao dono da vinha, ainda são violentos com seus enviados... até o filho, o herdeiro, é morto.
Na parábola Jesus faz uma crítica muito séria aos que se consideram donos da religião e senhores da fé do povo.
Muitas vezes certas lideranças religiosas impedem que o povo seja Povo de Deus para ser povo dos anciãos, dos escribas, dos sacerdotes, de fulano, de tal movimento... O povo vira joguete nas mãos dos chefes religiosos que há muito buscam seus interesses e não o Reino de Deus. É isso que Jesus critica, mesmo que sua denúncia profética lhe cause a morte.
Nosso Deus, que é Deus da vida e do amor, quer que, em nosso meio, reine a justiça, respeite-se o direito de todos, em especial dos mais pobres.
A parábola contada por Jesus nos faz refletir sobre os frutos que estamos produzindo.
Cada um de nós deve considerar-se um operário da vinha. De nós são exigidos os frutos.
Os frutos são: a justiça, o amor, a paz, a alegria aos tristes, a felicidade, etc.
Diante desta parábola o que alegra o coração é: a rejeição a Jesus pela humanidade foi uma bênção para todos... porque Deus transforma em sucesso também o fracasso e sabe extrair coisas maravilhosas até do pecado do homem.
Na segunda leitura, um trecho da carta aos Filipenses, Paulo afirma que nada pode destruir a paz e a alegria de um cristão, nada pode lhe causar angústia, se ele permanece unido a Deus na oração.
Em seguida recomenda que tudo o que nos torna simpáticos, atraentes, amáveis, honrados, respeitados, deve ser cultivado por qualquer cristão. Não se pode pretender ser discípulos de Cristo se não formos também homens íntegros e respeitáveis.
A recomendação de Paulo nos ajuda a pensar que o verdadeiro cristão não se apresenta aos outros com atitudes antipáticas, intratáveis!
DIA DO NASCITURO
Comemora-se dia 8 de outubro o Dia do Nascituro: é o ser humano já concebido, cujo nascimento se espera como fato futuro certo. Essa comemoração nos relembra que todo crime contra a vida é um atentado contra a paz. O aborto é um crime contra a vida e contra a paz, pois a vida individual e a paz geral estão estreitamente ligadas. (Evangelium vitae, 101)
VAMOS VOTAR
Como cristãos e católicos cidadãos, hoje devemos votar nas eleições municipais. O voto deve ser consciente e livre, pensando que escolhemos propostas apresentadas para mais um período da nossa vida no lugar onde vivemos. O cristão não vota nulo, o cristão comparece às urnas e vota. Que o Espírito Santo nos ilumine hoje! Que os eleitos sejam abençoados e iluminados pelo mesmo Deus.
PENSAMENTO
“Só palavras de nada valem; é preciso ação concreta, conforme o projeto de Deus”. (Liturgia Dominical)
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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