Alunos se unem para acabar com lixões


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Cerca de 90 alunos do Núcleo Educacional do Caic (Centro de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente) deixaram a escola na tarde de ontem para uma aula prática de cidadania. A diferença é que, desta vez, eles é que estiveram no papel de professores. Com o objetivo de conscientizar sobre a importância de não jogar lixo e entulhos em terrenos baldios, o grupo percorreu as ruas do Jardim Miramontes, na zona norte de Franca, e distribuiu panfletos educativos e sacos de lixo entre os moradores. A ação encerrou um projeto elaborado a partir de uma matéria do Comércio, publicada na última terça-feira. Sob o título “Os caminhos do lixo”, a reportagem mostrava o drama das famílias vizinhas de um lote de terrenos particulares usado como lixão que, além de serem obrigadas a conviver com o mau cheiro, tinham as casas invadidas por ratos e insetos. Ao lerem a matéria em sala de aula, os alunos notaram que a história contada pelo jornal estava muito próxima da realidade por eles vivida, já que grande parte dos estudantes do Caic, que fica no City Petrópolis, mora no Miramontes. E decidiram fazer alguma coisa. “Começamos com um trabalho de interpretação do texto”, disse a professora da 2ª série D, Fernanda Ribeiro. “As crianças colocaram no papel o que a matéria queria dizer, quem a escreveu e que problemas apontava. Através de desenhos, traçaram um paralelo entre a situação atual e a situação ideal”. Na segunda parte, os alunos levaram para casa um questionário que foi respondido com a ajuda dos pais. “Eles ficaram sabendo como as próprias famílias tratam o lixo, quantas vezes o caminhão de coleta passa no bairro e outros pontos-chave do projeto”, contou a professora. O exercício possibilitou um diagnóstico mais amplo e serviu de base para definir o próximo passo: a confecção dos panfletos. A visita das crianças provocou alvoroço no bairro. Com muita simpatia, elas foram abordando os moradores e ensinando como dar o destino correto ao lixo. Filhos de uma sociedade que, mesmo a duras penas, está aprendendo a encarar as questões ambientais como prioridade, os alunos do Caic traziam na ponta da língua a condição básica para a preservação da vida no planeta. “Cada um tem que fazer a sua parte, senão vamos destruir o mundo, que é a nossa casa”, disse, com jeito de gente grande, a pequena Ana Paula Pereira, de 8 anos. Para a professora Raquel Silveira Ribeiro, da 2ª série E, a experiência comprovou que toda ação para a mudança começa com um sentimento de indignação. “A indiferença é o que impede as pessoas de transformarem sua realidade. E essa é a maior lição que as crianças podem nos dar”, disse.

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