Estou aqui de novo frente a uma página em branco, tentando dar rumo à avalanche de contentamentos e descontentamentos que caracterizam a vida de um jornalista em busca do texto definitivo, até que o próximo se torne o novo desafio.
A responsabilidade aumenta quando as linhas que você escreve causam eco. Dezenas me pararam em evento no teatro do Sesi, onde o Ciesp comemorou aniversário esta semana; no lançamento do cartão de crédito do CDL; nos contatos de avaliação de entrega do Troféu Mérito Empresarial da ACIF; em ocasiões diversas pela rua, igrejas, empresas, restaurantes, shoppings onde a gente anda enquanto cidadão comum. Pararam para prosear sobre as três últimas colunas publicadas neste espaço, duas sobre as vaidades humanas e a última, sobre desrespeito de empresas por seus clientes.
Na média, meus leitores entenderam corajosas as palavras que escolhi para cobrar quem vai a eventos públicos sem conhecer exatamente os limites do respeito humano, a forma atenciosa e educada com que se deve brindar o semelhante. Já há personagens marcadas na comunidade francana, gente que normalmente dá trabalho, arma ou contribui para armar confusões. Certamente, mesmo e apesar dos cargos que ocupam, começam a ter analisadas as conveniências de serem ou não, convidadas. A julgar pelo que tenho ouvido, os ambientes comecem a se livrar dos inconvenientes, mas uma faxina mais adequada jamais acontecerá. Ainda há muito medo – não é respeito. É medo! – do “sabe quem sou eu?”
Quanto a empresas que desrespeitam seus clientes, Pracuch, Denilson Carvalho, Edward de Souza e Alexandre Leonel – meus colunistas das terças, quartas, quintas e sextas cá neste Comércio – não me deixam só. Vira e mexe, também reclamam. Aliás, até o Alexandre Fischer, meu interino – com quem divido os méritos da coluna de sábado passado – não se conteve, reclamando das deliveries da cidade. Um leitor se manifestou dizendo que riu muito da forma com que a coluna contou o angu-de-caroço da espera pela “alimentação rápida”. Riu e concordou. Disse até que parecia que o Fischer contava a história do próprio leitor.
Onde quero chegar com este texto de hoje? Fácil. A epidemia da falta de respeito com o outro, do desconhecimento de regras e normas sociais, está se alastrando! Os bastidores das sabatinas e debates políticos que o Grupo Corrêa Neves de Comunicação realizou nos últimos 45 dias, são prova incontestável.
Dedicamos mês e meio a organizar em detalhes como haveriam de ser os cenários, a recepção, os cuidados em oferecer equilíbrio a cada partido ou coligação política, envolvidos no processo. Para isso, estabelecemos em comum acordo com seus representantes, regras. Eis aí, de novo: regras!!!
Pois não é que vários dos postulantes a tornarem suas cidades melhores, mais organizadas, resolverem problemas de todo tipo, oferecerem “respeito” a eleitores que consideram “desrespeitados”, foram os primeiros a mandar o conjunto de regras à lata de lixo? E, pior: se candidatos devem ser lights, cordiais, elegantes e educados, deixando para seus assessores as discussões nas quais não podem se envolver, estes fizeram ainda pior. Foram descorteses, arrogantes, donos-do-mundo. Podia-se avaliar, das posições destes alguns, como seriam suas reuniões de preparação, o clima de desrespeito entre eles próprios, as vozes de comandos dissonantes.
Tomara que estes e aqueles não aconteçam nas eleições de amanhã. Tomara.
UM POUCO DOS “SENÕES”
Alexandre Leonel, o colunista das sextas-feiras me telefonou logo após um dos debates. Ouviu pela Difusora e assistiu pela internet. Lascou: “Quem só ouve não vê gestual, não acompanha a arrogância de assessores, o desrespeito às regras estabelecidas. Fiquei abismado”.
CENA 1
Um assessor de prefeito se levanta e vai em direção a assessor de concorrente, punho em riste. Eu me coloco no meio e digo: “Se querem socar alguém, soquem a mim”. Os contendores parece que entendem. Voltam. Se sentam. O que houve lá fora, não sei...
CENA 2
O concorrente “A”, de repente, se vê à frente do concorrente “B”. Estende a mão para cumprimentar. Sua mão fica no ar. Sem resposta. Não seria de se esperar que, pelo menos em ambiente público, testemunhado, estas mãos tivessem se encontrado? Mera formalidade?
COBRO
Cobro respeito a regras aprovadas pelos partidos e coligações. Recebo, de volta: “Você é intransigente!”. Imagino o que poderiam fazer com planos diretores, leis orçamentárias, leis quaisquer...
EM SÍNTESE
Amanhã é dia de votar. Há gente competente sim, bem assessorada. E há os outros. Dê um jeito de não jogar o voto no lixo ao optar por votar naqueles que jogam qualquer coisa no lixo, inclusive você, se suas consciências voltadas ao “puder” assim o exigirem. Não vote no amigo só porque é amigo. Não vote em homem ou mulher só porque são bonitos. Não vote naquele que lhe pede o cargo público para poder melhorar a própria vida. Não vote em qualquer um só porque não tem alguém em quem votar. Não vote no menos pior porque entende que todos são ruins. Ainda dá tempo. Faça uma reunião em família. Descubra quem, pelo consenso, pode dignificar o dinheiro que você próprio vai lhes pagar, nos próximos anos. E lute para que seus amigos também não depositem o voto apenas porque a lei obriga. Lugar de dejeto é na privada e não na urna!!!
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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