Escolhas


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Nesta ocasião, desenvolve-se a idéia de que o conhecimento do diverso expande a possibilidade de opções e, portanto, aumenta a segurança das escolhas. Isto significa que a nossa consciência crítica amadurece com o tempo, pelo menos é o que se espera, a partir do momento em que a curiosidade e a tolerância permitem que compreendamos e reconheçamos tudo que está aí, até como exercício de assimilação de idéias e experiências, seguido do aprimoramento da forma como as escolhas são feitas. Observemos o movimento, tanto no nível individual quanto no coletivo. A noção de certo e errado é subjetiva, porém é também doutrinada desde cedo pelas instituições familiares, escolares e religiosas. O crescimento enquanto apreensão do diverso permite que se tirem as conclusões por conta própria daquilo que se julga certo ou errado. Por sua vez, as palavras proferidas às outras pessoas lidam com sentimentos e, conseqüentemente, demandam escolhas premeditadas. Portanto, é importante medir o que dizer, onde, quando e para quem. Escolhe-se uma profissão após a confrontação daquelas que estão disponíveis e a identificação pessoal, a menos que se tenha por vocação. Noutro sentido, há também o respeito que deve existir por quem escolhe uma orientação religiosa, pedagógica, partidária e de estilo de vida, pois se insere na diversidade que compõe as distintas sociedades, suas interações e condições internas. Uma decisão é tomada agora, mas as conseqüências podem ser duradouras. E se não estivermos preparados para escolher? Aguça mais os seus sentidos aquele que vê a multiplicidade, ouve atentamente, tateia as nuances, saboreia os frutos diversos da mesa farta da existência e fareja o discernimento. Contudo, o mundo, às vezes, conspira contra o nosso afã pela previsibilidade, pois nem sempre as coisas são do jeito que aparentam ou acontecem da forma como planejamos. E este é um dos poucos fatores limitantes da escolha, que, ainda assim, é útil à nossa interação com o que está ao redor. O nível de experiências que estamos vivendo no momento tende a ser relegado por uma sucessão de novos eventos do futuro. Muitas das manias e dos hábitos que tínhamos foram substituídos por outros tantos, que compõem o leque de opções a serem escolhidas no presente. Aprofundando o raciocínio, por mais que experimentemos, acreditemos e sonhemos convictamente hoje, a tendência é de serem abandonadas algumas idéias a favor de novas escolhas. Basta fazermos uma revisão de nosso histórico e avaliarmos a importância da apreensão do diverso. Não desanimemos com o desencantamento do mundo e com a eterna alternância. Assim persiste a narrativa, ou as narrativas, já que damos atenção ao diverso e à inclusão das experiências do leitor. A expansividade do nosso conhecimento só ocorre a partir daí. Enfim, cada dia é uma renovação, um outro amanhã, que complementa os relatos das nossas narrativas e atribui forma e vivacidade à compreensão da diversidade, sem a qual nossas escolhas não teriam a devida autonomia. Bruno Peron Loureiro Bacharel em Relações Internacionais pela UNESP-Franca.

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