A alta do dólar, que ontem chegou a R$ 2,02, deixará o Natal dos francanos mais caros neste ano. Lojas da cidade que trabalham com produtos importados não terão como arcar com os aumentos e farão os repasses para o consumidor. Com isso, materiais como árvores de Natal, perfumes, TVs, DVDs, computadores e alimentos como vinhos, azeites, frutas natalinas e castanhas estarão até 15% mais caros. No setor de turismo, o impacto já ocorreu.
Trabalhando com importados, a Dime Store estuda formas de driblar o aumento. Num primeiro momento, quando ainda trabalhar com produtos em estoque, não mexerá nos preços, mas sabe que, na reposição, isso não será possível. Desta forma, quem deixar para comprar artigos natalinos a partir de novembro poderá encontrar árvores, bolas, luzes e laços encarecidos. “Vamos preparar a loja para o Natal depois do Dia da Criança. Quando tiver que repor mercadoria, essa com certeza estará com o reajuste. Não terei como segurar”, explicou José Berdu Graneiro, proprietário da empresa. Neste caso, uma simples árvore de Natal que custa R$ 20, será vendida por R$ 23.
Na Fransoftware, especializada na venda de notebooks, o aumento ocorrerá dentro de 15 dias quando serão recebidos novos equipamentos. Michael Finardi, diretor técnico, acredita que o número de vendas não será afetado, mas antecipa uma mudança nas escolhas dos clientes. “Como os eletrônicos são mais caros, a diferença de preços é mais sentida. O cliente que planejava levar um notebook de R$ 4 mil decide por um mais barato”. Para não perder vendas, a loja, onde 98% dos produtos são importados, ainda oferecerá financiamentos em até dez vezes com juros mínimos.
Acostumado a comprar produtos alimentícios com o dólar cotado a R$ 1,60, Alexandre Abdalla, do Armazém & Cia, também diz que os preços dos produtos importados, como vinhos, azeites, azeitonas, castanhas, nozes e outras frutas natalinas, estarão mais salgados em relação ao mesmo período do ano passado. “Um azeite de R$ 12 precisará ser vendido a R$ 14. O consumidor vai sentir e restringir as compras. Se antes ele levava um azeite extra-virgem, agora levará um virgem”, disse Abdalla.
Para o assessor de Comércio Exterior, Sebastião Carlos Domingues, o mercado está instável, mas deverá se estabilizar ainda neste mês com um dólar no patamar de R$ 1,90 a R$ 2. “O Brasil tem forte dependência do dólar, mas essa é somente uma onda que deixa o mercado com medo. Tivemos uma baixa e, agora, o dólar vai estabilizar no valor que era”.
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