Com objetivo de diminuir os furtos de carros e receptação de peças roubadas, as vistorias feitas em veículos na Ciretran de Franca têm sido mais rigorosas desde o fim do ano passado. O resultado são 113 carros flagrados com algum tipo de irregularidade, seja no motor ou no chassi. A maioria deles teve seus motores, por algum motivo, trocados por proprietários dos automóveis.
A determinação de uma inspeção veicular mais rigorosa, que verifique inclusive a numeração do motor, está em vigor desde novembro do ano passado e veio do Detran (Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo).
A vistoria acontece toda vez que o proprietário de um veículo realiza a transferência do documento. É justamente nesta hora que muitos se deparam com a desagradável surpresa de estar circulando com um carro irregular. “A pessoa compra um carro de terceiro e não transfere os documentos de imediato. Se esquece de verificar se o motor é original ou se foi trocado, se existe uma nota fiscal que comprove que ele esteja regularizado. Na vistoria, tudo isso é verificado e, se houver qualquer tipo de irregularidade, ele será barrado e apreendido”, disse o delegado Benedito Carlos Quiodeto.
Ainda segundo a polícia, a maioria dos veículos barrados durante a vistoria está transitando há mais de cinco anos. Geralmente são carros que tiveram as peças substituídas por desgastes ou colisões e adquiridas em desmanches. O objetivo da providência adotada é diminuir a incidência de furtos de veículos. “A inspeção pode evitar problemas com documentação, chassi adulterado ou motores roubados. Com ela, as pessoas vão pensar duas vezes antes de comprar peças sem procedência legalizada”, disse Quiodeto.
De acordo com Quiodeto, durante as vistorias, de janeiro a agosto deste ano, mais de 30 motores tiveram que ser retirados dos carros, pois o dono não teve como comprovar sua origem e seu número não batia com o do chassi. “É carro que a pessoa comprou e que o motor já havia sido trocado. Talvez por ter estragado. Às vezes, não existe mais nota fiscal do produto. Não é por má-fé, mas causa prejuízos aos proprietários. Agora existem os casos de adulteração ou remarcação, que são passados por perícias. Nestes flagrantes, o dono do carro pode responder por crime de receptação”, disse o delegado.
Em média são vistoriados na Ciretran de Franca 200 veículos por dia. Segundo a polícia, entre dois ou três não conseguem passar no “pente-fino”. A medida já ajudou neste ano a identificar quatro motores de veículos furtados. As peças foram recuperadas e devolvidas para seus verdadeiros donos. A polícia só não conseguiu prender os ladrões dos carros.
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