Chegamos ao final de mais uma etapa da democrática disputa eleitoral. Durante vários dias acompanhei o noticiário e o horário eleitoral gratuito. Escrevi diversas colunas sobre o tema.
Conversei com muita gente sobre o processo eleitoral. Ouvi muita coisa. Li muitas pesquisas. Acompanhei os debates, as análises.
Investiguei. Delirei. E agora restam poucas horas para o momento de registrar meu voto. E então surge a pergunta: em quem votar? Ou seria melhor perguntar no que votar? Afinal de contas, nossa cidade precisa de políticos ou de políticas?
A dúvida se justifica e tornou-se mais incômoda à medida que os dias foram passando e diante dos olhos não conseguia distinguir o que, do quem, principalmente no horário eleitoral gratuito.
A mesmice de alguns discursos de campanha foi um insulto à inteligência do eleitor. A incoerência de alguns posicionamentos revelou a fragilidade de determinadas ideologias partidárias.
Foram tantas as mazelas que me arrisco a dizer que a campanha de 2008 foi pior que a de 2003. Muito pior. Um verdadeiro show de horror.
Na corrida pelas cadeiras da Câmara Municipal, por exemplo, não sei se por falta de dinheiro ou por falta de profissionalismo.
Talvez pela ausência de ambos, algumas candidaturas foram infelizes, desumanas e inconcebíveis. Apesar da democracia garantir o direito de votar e ser votado, a falta de bom senso de alguns partidos expôs ao ridículo muita gente que não tem a menor condição de se candidatar, de se eleger e muito menos de ocupar cargo público.
É preciso um mínimo de respeito com a dignidade das pessoas. Não é possível que alguém se diga democrata apenas por ser favorável que todos disputem uma eleição. Democracia é mais que isso, democracia é responsabilidade, seriedade, comprometimento com a coisa pública em favor do bem comum.
E deve ser exatamente por essa falta de comprometimento com a coisa pública em favor do bem comum que, excetuando-se a remota, porém possível possibilidade de algo significativo ocorrer até o momento que antecede o encerramento das eleições às 17 horas do próximo domingo, que para a maioria dos candidatos não resta mais nada a fazer senão dar-se por derrotado.
Tudo está consumado. Candidatos vazios de propostas encontrarão também urnas vazias. E é assim que deve ser. Se quisermos um futuro diferente precisamos agir de maneira diferente no presente. Apenas os loucos esperam resultados diferentes fazendo sempre as coisas do mesmo jeito.
CANDIDATOS SEM NOÇÃO
A internet está repleta de blogs que trazem as maiores esquisitices das eleições municipais 2008 em todo o País! Vale a pena dar uma olhada. São caras, nomes, apelidos e propostas capazes de tirar o sono de qualquer eleitor responsável.
DELIRIUS POLITICUS 1
Diante da importância das funções exercidas pelos vereadores e considerando as peculiaridades de determinados candidatos, poderíamos pensar em um processo eleitoral em dois turnos para vereadores. Quem sabe com duas tentativas as chances de erro diminuem...
DELIRIUS POLITICUS 2
Em São Paulo mais uma vez o PSDB tratou de fritar Geraldo Alckmin, a exemplo do que já havia feito na eleição para presidente da República. Uma pergunta não quer calar: por que Alckmin tem tão pouco apoio dentro do próprio partido? Seria falta de confiança na competência dele ou medo de perda de espaços?
ONDE ESTÁ O DINHEIRO 1
Enquanto escrevia esta coluna o congresso norte-americano aprovava o pacote de socorro ao sistema financeiro. Quando vejo esses bancos falindo me pergunto: será que se cada correntista resolver ir a seu banco sacar todo o seu saldo, haveria mesmo grana suficiente? Ou, em outras palavras: será que existe mesmo o dinheiro que dizem que existe?
ONDE ESTÁ O DINHEIRO 2
Especialistas afirmam que o colapso do sistema financeiro vai gerar conseqüências em todo o mundo, inclusive no Brasil, mesmo e apesar do insistente discurso do governo de que estamos blindados. Sendo assim é melhor se prevenir. Afinal de contas quando gente do governo fala que não há com o que se preocupar é melhor se preocupar.
DEBATE PELA NET 1
Fiz questão de acompanhar o debate do Grupo Corrêa Neves de comunicação pela internet, o site da Rádio Difusora disponibilizou a peleja com direito a transmissão de imagens. Quem ouviu pelo rádio não pôde perceber os fiascos de alguns assessores e nem sentir o clima dos bastidores. Fica a su-gestão para que o arquivo fique à disposição dos internautas, vale a pena ver de novo.
DEBATE PELA NET 2
Chovendo no molhado, mais uma vez a ausência do prefeito-candidato dominou parte das falas dos candidatos presentes. Eu, sinceramente acreditava que o prefeito pudesse aparecer no último minuto antes do debate ter inicio. Errei. Foi uma pena, afinal de contas seria mais um fato para entrar para os anais da política francana.
Alexandre H. Leonel
Farmacêutico, ex-integrante do Conselho de Leitores - leonel@comerciodafranca.com.br
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