Viúva e mãe de apenas um filho, a comerciante aposentada Juraci Malta Borges, 63, mora sozinha no Jardim Boa Esperança. Na casa dela, conta com a companhia de 33 canários-do-reino e duas calopsitas. Os animais vivem em gaiolas na varanda e, mesmo em cativeiro, conseguem se reproduzir. Segundo ela, em dezembro de 2007, a residência ficou com cerca de cem aves, entre adultos e filhotes. Apesar da paixão por eles, Juraci não cria só por hobby e vende boa parte das espécies por não ter como tratar de todos.
Ela começou a criar os pássaros há cerca de dez anos. “Sou apaixonada por aves”. A “coleção” foi iniciada com apenas um casal de canarinhos, mas foi só crescendo. Os animais chocam entre agosto e dezembro. Cada fêmea bota em média quatro ovos. Os filhotes demoram apenas 13 dias para nascer. Juraci controla as datas numa agenda. Cada canário é vendido por R$ 30. “No fim do ano, tiro uns R$ 2 mil vendendo as aves”.
O ritual até o nascimento é curioso. A fêmea não bota todos os ovos de uma vez. Cada ovo é retirado pela dona e substituído por um de madeira. Quando botar todos, Juraci retorna os originais para o ninho. “É preciso fazer assim para serem chocados ao mesmo tempo e os filhotes nascerem no mesmo dia. Se nascerem em datas diferentes, os pais tratam diferente e os maiores podem matar os outros”, disse Juraci, que aprendeu a técnica num curso sobre aves feito em Viçosa (MG) e nos livros sobre pássaros que lê.
Os filhotes são retirados da mãe com duas semanas de vida. Quando atingem esse período têm direito a tomar banho em água morna, serem enxugados com toalha e terem as penas secas com secador. “Passo remédio para matar piolhos”. O banho dos adultos é mais independente. A gaiola é colocada no sol com a vasilha de água e eles se banham sozinhos.
BEM-TRATADOS
A dedicação também é intensa na hora de alimentá-los. Às 6 horas, Juraci está acordada. Faz a limpeza da gaiola e arruma o “café da manhã”. “Cozinho ovos para os canarinhos, preparo frutas, sementes e vitaminas”.
Para relaxarem e aprenderem a cantar, ela coloca um CD com outros passarinhos cantando. “Eles adoram. Agora vou ensinar as calopsitas a falarem”. A relação entre a dona e os pássaros é próxima, como com cachorros e gatos. “Quando abro a porta com a chave, eles já começam a se movimentar e fazer barulho”.
A casa de Juraci funciona como um mini-hospital de aves. Ela cuida dos animais de outras pessoas, recebe de conhecidos pássaros encontrados machucados e os trata. Na casa, sempre tem antibióticos, colírio e remédios para micoses. “Leio nos livros que tenho e pelos sintomas sei como tratar deles. Depois que estão bons, os solto na fazenda”, disse ela, que gasta cerca de R$ 320 por mês para manter todos animais.
A Polícia Ambiental de Franca informou que não é preciso ter autorização para criar canários-do-reino e calopsitas.
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