Não consigo entender a razão de tamanha intolerância por parte da população em desfavor de órgão tão ‘competente’ e ‘zeloso’ como o DRS-VIII (Departamento Regional de Saúde) instalado há décadas em nossa amada província.
De acordo com o CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde), o “DRS” é tipificado como “Central de Regulação de Serviços de Saúde”, o que significa repartição responsável por gerir ‘regulando’ a área da Saúde, no que concerne à esfera estadual.
Na aquinhoada divisão provincial da Roma Antiga, os “dirigentes” eram indicados pelos senadores e nomeados pelo Imperador para gerirem os interesses políticos e manterem o controle dos negócios públicos. Aqui, ao melhor estilão ‘terceiro mundo’, a política partidária de grupos prospera, demonstrando força sobre os ‘fracos’; estendendo seus tentáculos e conquistando espaço e poder dentro de governos.
Especificamente no caso de Franca, ao que tudo indica, o controle político do Departamento Regional de Saúde entrou para o quinhão de um deputado estadual ribeirão-pretano e, por conseguinte, nos agraciou com sua infinita bondade, de ilustre diretoria também de Ribeirão Preto que aqui aportou.
Quanta satisfação a nossa! Havemos de ser cuidados e tutelados por emissários de tamanha envergadura exportados de outra cidade a cuidar de toda ‘regulação em Saúde’ francana... Sinto-me agora em paz e seguro, pois sei que pessoas de ‘bem’ se preocupam com nossas necessidades e mazelas. Estamos, portanto, nas mãos de gente ‘altamente’ qualificada em capacidade de gerenciamento...
A vizinha Ribeirão é uma madre que vem parindo a muitas sumidades e parece se consolidar como fonte inesgotável de ‘talentos’ a resplandecerem por seus atos e comportamentos elevadíssimos.
A nossa maior honra, no entanto, aqui nas Três Colinas, é a de ter ‘gerentes’ ribeirão-pretanos em nosso “DRS”. Um deles, para se ter uma idéia, domina áreas do saber como logística, matemática e estatística e sua função é decidir as vidas de nossos cidadãos como se meros números fossem em sua contabilidade diária.
Confesso que sou leigo e não entendo bem o tipo de metodologia desenvolvida sobre os francanos, mas posso imaginar que seja algo inovador e revolucionário, novo jeito em promover políticas públicas de saúde por intermédio de uma espécie de Ciências Calculistas...
É sabido que o “DRS” mudou de prédio. Deixou o velho e assombrado pavilhão da antiga Mogiana e rumou para um local próximo ao Distrito Industrial, gerando reclamações pela distância. Ora, é bem certo que o órgão se mudou e, para ‘melhor’, como dizem os gestores. Seria uma baita injustiça e algo muito deselegante acusar os dirigentes de descentralizarem o órgão para ‘dificultar’ o acesso dos munícipes ao local...
Ver a “felicidade’ das pessoas às margens da Avenida Santos Dumont aguardando ‘prazerosamente’ horas pela dispensação dos medicamentos de alto custo revela um órgão estatal cabalmente ‘humanizado’ e ‘sensível’...
Por essas e outras coisas, não é tempo de reclamar, e sim, momento de gratidão pela nobre demonstração de ‘companheirismo’ dos deputados estaduais ‘da Casa’ pela cessão de espaço político a outro irmão de Assembléia para que pudesse cuidar “tão bem” e de forma tão ‘humana’ de nosso povo francano...
Ricardo Veríssimo Júnior
Funcionário público, ex-conselheiro da Saúde e do Comércio da Franca
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