O calçado através do tempo, além de constituir um elemento de proteção e facilidade para caminhar, sofreu mudanças sucessivas no seu estilo e confecção. Aos poucos a produção artesanal deu lugar à tecnologia e ao desenvolvimento de novas matérias-primas como formas, solados, saltos, cores e os mais diversos modelos, pensando sempre na funcionalidade, conforto e qualidade.
Mas, além de tudo isso, um item importante para despertar o desejo do consumidor é a beleza. Os 60 alunos do 4º ano do curso de Design - Moda e Estilismo da Universidade de Franca se atentaram para isso e conseguiram criar bolsas e sapatos femininos exclusivos de diversos materiais com naturalidade, criatividade, charme e elegância. Não há mulher que resista aos modelos, cores e acessórios da exposição “Novos Talentos da Moda”, no Museu do Calçado de Franca. Uma dica: deixe o marido ou namorado em casa porque eles não vão ter paciência de esperar você “babar” pelas cem peças expostas.
O trabalho foi desenvolvido na disciplina de Design de Acessórios, ministrada pelo professor Orlando Cabrera. A partir da escolha do tema, cada aluno criou o seu modelo e participou de todo o processo industrial da confecção do calçado. “O aluno tem que entender, precisa saber como funciona o sapato no pé, até que ponto é confortável, até que ponto uma mulher vai se sentir bem com essa criação e o mais importante: despertar o desejo. As pessoas precisam querer obter esse produto”, afirma o professor.
Para o diretor do curso, Julius Pimenta, o objetivo do trabalho é a capacitação profissional. “O que temos são produtos viáveis comercialmente, industrialmente, criativos e originais. A idéia é aprender a criar, mas associar isso à viabilidade da indústria. Conhecer as possibilidades de montagem, corte, costura, tratamento do produto, couro e material a ser usado”, explica.
ESTILOS
Gostos musicais, formas de se vestir, pensar, defesas de pensamentos e pontos de vista diferentes sobre os assuntos. A moda reúne os diferentes grupos e várias características são levadas em conta. A estudante Fernanda Rahmé Moysés se inspirou nos hippies chiques para desenvolver o seu calçado. As pessoas dessa “tribo” têm um estilo zen, descontraído e pregam a liberdade. “Uma tendência do verão 2009 são as sandálias abotinadas e as carteiras, que vão voltar com cores fortes como o dourado e o rosa”, revela.
Os cerca de cem modelos expostos apresentam características únicas e matérias-primas exóticas: couro de peixe, tricô, couro aquarelado, verniz, botões, cordas, palhas, madeiras, fitas, alfinetes, entre outros, que esbanjam criatividade e ousadia.
Marcela Gaspar preferiu um tema descontraído, como o Cirque du Soleil. “O circo é arte, e arte e moda sempre andam juntas”, resumiu. Taciana Scalon preferiu “invadir” o mundo country e lançou uma bolsa com tecido xadrez, franjas de couro e alças de arreio.
Já Alanna Goes resolveu dar uma “forcinha” às mulheres versáteis e modernas. Ela adaptou às “bag shops” espaço até para o notebook. “Mesmo com a correria do dia-a-dia a mulher pode ser sofisticada e elegante. Na bolsa ela pode carregar os papéis do trabalho, as roupas da academia, máquina fotográfica, celular e o inseparável computador”, afirma.
COMERCIALIZAÇÃO
Quem visitar a exposição com certeza sairá do Museu com vontade de ter pelo menos um dos modelos no guarda-roupas. Mas, para isso, as fábricas da “capital do calçado” precisam se interessar pelos sapatos. “Tem muita proposta que pode ser levada para as coleções e que tornam talvez o produto ainda mais competitivo. O mercado de Franca concorre com grandes mercados e exporta para os EUA, África do Sul, Europa, Austrália, ou seja, ele precisa ter um produto cujo investimento no design, que é o diferencial, seja muito grande”, avalia Julius Pimenta. “Hoje só a qualidade não importa, mas sim, a inovação e as características que estão associadas à tendência de comportamento e de estilo”, conclui.
SERVIÇOS
A exposição fica aberta para visitação até o dia 31 de outubro. O Museu do Calçado de Franca funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas, e aos sábados, das 8 às 13 horas. Mais informações na Rua Monsenhor Rosa, 1611, Centro ou pelo telefone (16) 3721-6630.
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