Que fique bem claro: para milionários americanos por mais valorizado que o real esteja, dólar é dólar e o charme permanece. O Instituto de Luxo de New York organiza enquete entre os milionários sobre os hábitos de compra, que serve depois de orientação para compradores de lojas de artigos exclusivos e atépara os próprios compradores, que querem estar em dia com astendências.
O inquérito sobre as marcas de calçados que os milionários compram on-line recebeu 821 respostas de pessoas com média anual de ganho de USD $3,6 milhões. Foram consideradas 17 marcas das mais famosas das quais dez entraram na lista dos calçados mais apreciados pela classe dos milionários. Foram avaliados o prestígio, funcionalidade e o valor.
O primeiro lugar ficou com Ferragamo pelo segundo ano consecutivo, seguido de Tod e Prada. Os demais foram listados na ordem alfabética, alguns deles até conhecidos em Franca: Alden, Allen Edmonds, Armani, Bally, Berlutti, Bruno Magli, Church’s, Cole Haan, Dolce & Gabana, Ermenegildo Zegna, Gucci, Hugo Boss, Louis Vuitton e Ralph Lauren.
A marca mais famosa (e também a mais cara) do mundo ficou fora da competição, porque é um calçado que não pode ser encontrado em lojas, mas é feito individualmente para cada cliente. Trata-se da marca inglesa John Lobb, fundada em 1829 e com loja estabelecida na Regent Street em Londres desde 1863. A segunda loja, em St. James Street, foi aberta já com a segunda nominação como fornecedor da família real inglesa.
A John Lobb não faz propaganda. A sua fama está baseada nas informações pessoais dos clientes da classe mais abastada e que prefere discrição. O serviço que John Lobb oferece é único. Não se sabe quem são os clientes, embora nomes de artistas como Frank Sinatra e Dean Martin tenham transpirado para a mídia. John Lobb cobra por um par de calçado de 2 a 6 mil libras esterlinas (além dos impostos) por um par de legítimo couro de crocodilo.
Como um calçado pode custar tanto? É uma pergunta que se ouve sempre. William Lobb, quinta geração do fundador alega: “se um terno feito por famosos alfaiates de Savile Row pode custar 2,5 mil libras, o calçado exige mais trabalho e o conforto conta pontos também”. Um especialista viaja até os Estados Unidos para medir os pés dos clientes, é feita uma forma especial e o cliente pode escolher um modelo que o agrade, bem como o material a partir de um mostruário de melhores couros e sugerir modificações pessoais ao gosto dele, que serão respeitadas e transformadas em produto acabado.
As solas, naturalmente de couro, são curtidas num curtume italiano, que usa casca de carvalho como curtiente. A curtição dura seis meses e na opinião de Mr. Lobb é o melhor couro para sola que se pode obter.
“Fazemos qualquer calçado para homem ou mulher, que o cliente vier a solicitar,” diz senhor Lobb, “menos tênis. Este, não fazemos”. A fidelidade dos clientes e o crescente interesse pelo calçado feito artesanalmente confirma o acerto da orientação mercadológica da firma John Lobb.
Também serve de confirmação para a teoria que nos diz que num produto perfeito o fator preço é o último que conta.
MORREU BATA
Dia 1º de setembro morreu aos 93 anos de idade em Toronto, Canadá, Thomas J. Bata, presidente de Conselho de Administração da Bata Shoe Organisation. Dirigiu a BSO durante mais de cinqüenta anos após a trágica morte de seu pai em desastre aéreo, em 1932. Assumiu o comando da organização em 1945, depois que afastou seu tio Jan A. Bata, que viveu e morreu no Brasil em 1962. Conseguiu profissionalizar a organização a ponto de manter a organização funcionando adequadamente mesmo com sua morte. A família possui a absoluta maioria das ações de todas as empresas com a marca, espalhadas pelo mundo (as mais novas estão na China).
TUDO NATURAL
Materiais “naturais” estão cada vez mais em evidência. Vegetal, ecológico e reciclável são cada vez mais populares. Lacoste (o do famoso jacarezinho), imitando o boi rastreado, lançou uma coleção onde os componentes são rastreáveis desde o começo até o fim do processamento. Até os tingimentos são vegetais.
MAIS ECOLOGIA
A coleção “Recyclus” da espanhola El Naturalista não leva cola, mas é costurada com linhas e fios de algodão, com sola de borracha reciclada e couro curtido ao vegetal. Para amortecimento interno da sola é usada a cortiça natural. Os couros curtidos ao vegetal têm aspecto de suaves cores azuis, liláases e coral.
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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