Os caminhos do lixo


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O LADO SOCIAL - Menino caminha por terreno baldio no Jardim Miramontes e procura, no meio do lixo, algum objeto que possa utilizar como brinquedo
O LADO SOCIAL - Menino caminha por terreno baldio no Jardim Miramontes e procura, no meio do lixo, algum objeto que possa utilizar como brinquedo
Todos os dias, os três canais disponibilizados pela Prefeitura de Franca para receber denúncias sobre terrenos sujos registram, em média, 20 queixas. Além do mato alto, a população reclama que essas áreas são usadas como depósitos de lixo e entulhos, principalmente resíduos de construção. O grande número de terrenos vagos da cidade, cerca de 40 mil, e a quantidade insuficiente de fiscais, apenas 15, tornam o problema fora de controle. Mas o “Pontos de Transbordo”, um programa da Secretaria de Serviços e Meio Ambiente em parceria com o Ministério Público, que ainda está em fase de elaboração, pretende mudar esse quadro. A idéia é destinar pelo menos 20 áreas da Prefeitura, localizadas em diferentes regiões, para o despejo de restos de materiais de construção. Em cada ponto, haverá caçambas e um funcionário responsável. Para evitar danos ao meio ambiente, as áreas serão submetidas a estudos, fechadas e sinalizadas. “O projeto ainda precisa ser aprovado, mas tem tudo para dar certo”, disse Ismar Tavares, secretário de Meio Ambiente. Os detalhes do funcionamento do programa, como o volume máximo de entulho permitido e, em caso de haver cobrança, o valor da taxa, serão definidos em reunião marcada para o próximo dia 4, da qual devem participar os carroceiros que atuam na cidade. [FOTO2] Mas, assim como o “Arrastão de Limpeza” - programa mantido atualmente pela Prefeitura que recolhe apenas entulhos acumulados em residências, como móveis, pneus e outros tipos de materiais - o “Pontos de Transbordo” também não deve ser uma solução definitiva para o problema, já que receberá somente lixo proveniente da construção civil. “Se não houver um forte trabalho de conscientização nos bairros, as pessoas vão continuar jogando lixo doméstico, restos de alimentos e até animais mortos nesses locais”, disse Ismar. Os moradores na Rua Humberto de Campos, no Jardim Miramontes, concordam que é preciso educar a população. Há anos, eles sofrem com o depósito de lixo e entulhos nos terrenos baldios, que é feito pelos próprios moradores. Uma das áreas, um lote com seis terrenos, abriga todo tipo de dejetos orgânicos e inorgânicos. A sujeira incomoda e causa o aparecimento de roedores e insetos. “Aqui tem muitos ratos, até um furão nós já encontramos em casa. Isso fora as baratas, escorpiões e outros bichos”, disse a dona de casa Jacira Alves Branco da Silva, de 67 anos. A diretora do Centro Comunitário do bairro, Vera Lúcia Gaia, 59, não entende a atitude de parte dos vizinhos, já que o caminhão da coleta de lixo passa três vezes por semana no bairro. “O dono do terreno mandou limpar e cercar a área, mas não adiantou. As pessoas retiraram a placa e voltaram a usar a área como lixão. Isso é um absurdo”, disse.

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