Sapateiros, com orgulho


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“O perfil dos sucessores de industriais está mudando. Nossos cursos de calçados não têm mais somente operários, mas também vários filhos de industriais”. A frase, de Celso Taborda, diretor do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de Franca, mostra uma tendência de comportamento cada vez maior no meio empresarial de Franca. Se antes assumir os negócios da família era algo que se aprendia na prática com o tempo, agora essa mentalidade está mudando. Muitos jovens, antes de assinar os cheques e tomar decisões dentro das fábricas de suas famílias, estão se dedicando ao aprendizado e abrindo a mente à necessidade de conhecer com profundidade as empresas que herdarão em breve. Daniel Carrasco Borges de Freitas, 24, é um exemplo da mudança de comportamento. Há nove anos acompanha o pai na indústria, porém não nutria a menor intenção de prosseguir no ramo. “No começo, imaginava outra profissão, pois a fábrica não me atraía. Depois acabei me interessando e decidi ingressar no curso de técnico de calçados. Passei a gostar ainda mais e resolvi cursar engenharia de produção na faculdade por sentir necessidade em conhecer mais sobre o assunto na empresa. Meu conceito mudou totalmente. Recomendo aos colegas filhos de industriais que conheçam a escola”, diz Daniel que hoje se considera preparado para assumir - realmente - os negócios da família, quando for necessário. A importância do curso para a indústria da família de Daniel também foi benéfica. Hoje a empresa incentiva e até paga alguns cursos para seus funcionários. “Com isso, só colhemos bons resultados”. Saullo e Talita Carrijo de Oliveira, irmãos, filhos de um grande industrial local e co-administradores da indústria, também se prepararam para a sucessão. A Calçados Saullo, que opera há 19 anos, conta com a presença dos dois já há nove e, mesmo cooperando ativamente da vida da empresa, Saullo sentia que faltava algo em sua formação para participar produtivamente. “Não estava preparado, e não queria ser considerado um filho de ‘pai-trão’. Precisava me especializar e hoje sou apaixonado pelo que faço”, avalia o jovem, que até pouco tempo cursava administração de empresas. “Abandonei o curso no terceiro ano, pois percebi que precisava de um estudo mais dirigido. Minha irmã já fazia o curso no Senai e passou ótimas referências sobre o aprendizado. O curso e os profissionais são altamente qualificados e, com o que tenho aprendido, consegui aperfeiçoar muitas operações de nossa linha de produção”. Talita, que optou pelo curso técnico de calçados alguns meses antes, concluiu os dois anos do curso, satisfeita com os resultados. “Lá, você aprende desde o corte, pesponto, preparação, montagem e acabamento e até mesmo setores fundamentais da área administrativa que são específicos numa fábrica de calçados. Hoje me sinto preparada para tocar o negócio quando for necessário”. “Foi absolutamente necessária minha formação no curso de modelista do Senai para meu trabalho na empresa”, avalia Igor Costa Rodrigues, 26 anos, formado no curso de seis meses da instituição e também em administração de empresas pelo Uni-Facef. “Para trabalhar no curtume de minha família, precisava estar preparado para encaminhar os melhores produtos para meus clientes. Tinha que saber o que poderia ser feito com nosso produto numa linha de produção”, disse o administrador/modelista, que hoje trabalha diretamente com o desenvolvimento e planejamento do Curtume Santa Croce. “Se não tivesse feito o Senai, estaria sem foco. O curso me abriu os olhos e me deu mais suporte de conhecimento relacionado à moda e desenvolvimento. Hoje me sinto realmente preparado para tocar nossa empresa, tanto que meu pai já iniciou um trabalho de sucessão e está preparando a mim e a meu irmão para uma retirada lenta, mas definitiva”.

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