Centro Comunitário vira moradia para mendigos


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DEGRADAÇÃO - Calçados velhos se amontoam em meio à sujeira de um dos cômodos do antigo Centro Comunitário para depois servirem de combustível para fogueiras
DEGRADAÇÃO - Calçados velhos se amontoam em meio à sujeira de um dos cômodos do antigo Centro Comunitário para depois servirem de combustível para fogueiras
Abandonado pela Prefeitura há cerca de quatro anos e sem qualquer condição de higiene, energia elétrica, água ou esgoto, o Centro Comunitário do Jardim Santa Luzia, na esquina da Rua Júlio Flausino com Rua da Liberdade, está servindo de abrigo para mendigos e desocupados. Cerca de 12 pessoas, inclusive duas mulheres, passam dias e noites entre paredes degradas pelo abandono e muita sujeira. O fedor de urina e fezes no interior do local impressiona. O problema, entretanto, não são os mendigos, mas supostos traficantes de drogas que estariam se infiltrando entre eles e usando o local como uma espécie de base para distribuição de drogas no bairro. Os moradores dos arredores se queixam de gritaria e até uso de armas. Uma das moradoras de uma rua vizinha ao imóvel abandonado relatou ter ouvidos gritos de socorro e até exposição de armas em plena calçada, há três dias. “Ficamos apavorados e nem saímos de casa à noite”, disse a mulher que não quis ser identificada. Segundo ela, o prédio está em péssimas condições e a situação piorou há cerca de dez meses, quando os invasores aumentaram. Uma outra moradora, que também pediu anonimato, sugeriu que a Prefeitura reativasse o antigo Centro para valorizar a região e afugentar os invasores. O último presidente antes do Centro ser extinto há pouco mais de três anos, Ezequiel Ferreira de Freitas, informou que o perigo também é de desabamento. “Aquilo está caindo e é até perigoso, mas eu já avisei a Prefeitura”, alertou. OUTRO LADO Na tarde da última quarta-feira, o Comércio visitou o local. Sete homens se encontravam no prédio abandonado. O mais falante deles e que parecia ser o líder do grupo, Marcos de Oliveira, de 34 anos, garantiu que as acusações não são verdadeiras e que a permanência no local se deve exclusivamente à falta de opções. “Todos aqui têm profissão e se tivéssemos emprego, não estaríamos aqui, com certeza”, disse o homem que se declarou cozinheiro desempregado. Ele reconheceu que praticamente todos os invasores são alcoólatras, mas negou o uso de drogas ou arruaça. “Quem vive na rua bebe mesmo, mas quando alguém se exalta e fala mais alto, a gente chama a atenção”, garantiu.

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