Como um quebra-cabeça, um sapato tem suas peças produzidas separadamente para serem coladas, costuradas, tingidas e o que mais os designers de calçados resolverem inventar. Apesar de existirem cerca de 30 máquinas diferentes para as diversas etapas de uma linha de produção simples, a montagem dos produtos ainda é feita, em grande parte, artesanalmente.
Visitando qualquer fábrica de sapatos em Franca dá para ver que a história de que “é só colocar a vaca de um lado da máquina e tirar o sapato pronto do outro” é balela. O processo ainda depende do trabalho humano, e muito! E isso requer conhecimento, experiência e rapidez, pois o atraso ou erro em qualquer uma das etapas compromete todo o trabalho de montagem.
Na linha de produção de um sapato masculino casual, desses modernos, por exemplo, tudo começa com a criação do modelo e com a preparação do couro no curtume. Corta-se, então, o couro no formato do desenho, assim como os forros, as espumas e os outros complementos. Com as peças prontas, é hora de juntá-las com cola e costura. Nessa fase, chamada de pesponto, a peça ainda não se parece em nada com a que você encontra na loja. Ela vai ganhar cara de sapato mesmo na etapa seguinte, quando é moldada em cima de uma fôrma e recebe sola e acabamento. Esse caminho é mecanizado, mas não pode ser feito sem o acompanhamento de um profissional especializado.
Ao final, entram a aplicação de cadarços, detalhes finais e o controle de qualidade, que libera os calçados para a embalagem e enfim para as lojas. Ufa!
Agora imagine tudo isso sendo feito o mais rápido possível. O empresário Paulo César Marsara é dono da Indústria de Calçados Manutti há 15 anos. Lá, 38 funcionários produzem cerca de 500 pares de sapatos por dia. Ele conta que começou a trabalhar no setor quando tinha apenas 11 anos e, de lá para cá, muita coisa mudou. “Há algum tempo, a costura ainda era manual e tudo era mais lento. Hoje, conseguimos fazer um par de sapatos a cada meia hora, ou seja, cada unidade passa apenas meio minuto em cada máquina. Tudo é muito ágil”, disse.
Mesmo com toda essa agilidade e automação, o toque do artesão ainda é necessário em todos os momentos, principalmente para ‘fazer a coisa andar’ e dar o acabamento artístico. Esse envolvimento do homem no processo de criação faz parte da história da produção de calçados em Franca. Boa parte da qualidade pela qual o produto francano é reconhecido se deve a isso.
PROFISSIONALIZAÇÃO
De olho nesse aprimoramento tecnológico do mercado, os profissionais da área têm de correr atrás de qualificação. Em Franca, uma opção é o curso de Técnico em Calçados do Senai. De acordo com o coordenador técnico da instituição, Wagner Lopes Munhoz, em dois anos de estudo, os alunos aprendem tudo sobre as várias fases da produção e saem preparados, não apenas para operar as máquinas, mas também para ocupar cargos de supervisão, planejamento e chefia. “Este curso é nosso ‘carro-chefe’.
Este ano tivemos 200 inscrições para apenas 32 vagas. Mas não é a única opção para quem quer se especializar um pouco mais. Há também o curso de Aprendizagem Industrial em dois anos, que é mais básico, e ainda cursos de curta duração para formação continuada para jovens e adultos, que é feita por módulos”, finalizou. Dos três, o único em que o aluno tem de desembolsar algum dinheiro é o curso de formação continuada. Os demais são gratuitos.
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