O Senhor nos reúne nesta celebração eucarística e nos revela o valor de quem fala e faz, sendo “sinal” do seu amor, revelando a sua conversão permanente. As leituras que serão proclamadas nas celebrações são as seguintes: Ezequiel 18; Filipenses 2 e São Mateus 21.
As primeiras palavras do trecho do profeta Ezequiel nos falam sobre o modo de agir do Senhor. O profeta, com os israelitas, se encontra no exílio da Babilônia. O povo acusa Deus de injusto e de agir incorretamente. Entre eles havia a idéia de que o pecado marcava para sempre a vida e a descendência de quem pecava.
O profeta, como porta-voz de Deus, mostra que a salvação de uma pessoa não depende de seus antepassados e parentes. O que importa é a disposição do coração no momento presente. Deus nos julga conforme o que somos hoje. Nunca é tarde para nos arrependermos, porque Deus quer a vida para todos.
Nós podemos passar pela tentação de atribuir a outros a culpa pela nossa situação: eu sou preguiçoso, sou um corrupto, me embebedo, porque meus pais, porque meus amigos, porque o meu filho...
Pensar assim pode produzir acomodação, querendo continuar como é, sem esforço para mudar, porque é mesmo inútil.
Os últimos versículos da leitura colocam uma outra verdade: se o justo parar de fazer o bem e praticar o mal, perecerá, e se o pecador se afasta das suas faltas e pratica a verdade e a justiça, salvará a sua vida.
Desta leitura recebemos uma mensagem muito confortante: Deus sempre está disposto a ajudar aqueles que, renunciando ao mal praticado, querem reconstruir a própria vida.
A segunda leitura é um trecho da carta de Paulo aos Filipenses.
Filipos foi a primeira cidade da Europa a receber a mensagem cristã, entre os anos 55 e 57. Por isso, Paulo apresenta Jesus como modelo de filho obediente que se torna servo e convida os que se dizem seguidores dele a terem “o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”.
Paulo vai percebendo que naquela comunidade havia o problema da inveja entre os cristãos. Entre eles havia aqueles que aspiravam a alguns cargos para uma afirmação pessoal, para mandar, para mostrar-se superior. Com delicadeza o apóstolo indica a solução: que ninguém procure o próprio interesse, mas o dos outros.
Ao oferecer como exemplo o próprio Cristo, ele revela que o caminho escolhido por Ele, o rebaixamento até o último degrau, conduziu o Cristo à sua glorificação.
No evangelho, mais uma vez, somos esclarecidos sobre o perigo da religião dos merecimentos, isto é, fazemos alguma coisa para receber uma recompensa.
Deus não é comerciante, mas Pai que ama gratuitamente, e nós também temos que aprender dele a doar-nos generosamente sem fazer cálculos, sem pensar em vantagens e no capital que, através de nossas boas ações, podemos acumular.
O Evangelho conta a parábola do filho que diz “não”, mas se arrepende e vai trabalhar na vinha do Pai; e do outro filho que diz “sim, senhor” ao pai, mas não vai.
Jesus pergunta quem fez a vontade do pai?
A Palavra de Deus que hoje nos faz mergulhar em nossa fragilidade humana nos leva também a experimentar a bondade sempre fiel do Senhor que nos propõe mudança de vida e acredita em nossa conversão.
O evangelho nos ensina a ter “prudência e paciência”.
Prudência para não só falar ou criar ilusão na própria vida e paciência para não julgar o que, pela aparência, enxergamos.
Fica claro através desta palavra que Deus não quer uma religião de “papo” ou “promessa”, mas o que lhe conforta é o “amor concreto”, isto é, os gestos que temos em prol do nosso irmão.
A paciência deve sempre existir porque na Igreja, nas nossas comunidades cristãs, no mundo, sempre há dois filhos: alguns, no Batismo, dizem “sim”, mas, depois, na vida concreta transformam o “sim” em muitos “não”. Por outro lado, há muitas pessoas que nunca disseram um “sim” claro para Deus, mas na prática de cada dia amam o irmão, se sacrificam pelos outros, executam muitas obras de caridade. Estes, ainda que não batizados, são verdadeiros filhos de Deus.
SEMANA NACIONAL DA VIDA
Coordenada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família – da CNBB acontece de 1º a 7 de outubro a Semana da Vida que é uma ocasião especial para colocar em evidência o valor e a beleza desse dom que recebemos de Deus. De modo especial, destaca-se o valor sagrado da vida humana em todas as dimensões.
ELEIÇÕES 2008
A Comissão Diocesana “Fé e Política” tem trabalhado, como Igreja, com os candidatos e eleitores pela permanente conscientização do voto. No próximo domingo vamos votar! Que o Espírito Santo ilumine nossa mente. Como é ruim ouvir e ver campanhas marcadas por ataques. E os projetos? Para muitos, o período da campanha eleitoral é oportuno para expor revoltas e carências pessoais. Queremos projetos, coisas concretas que realizem o nosso bem.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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