Aqui nesta página de “Opinião e Debate”, nosso editor Luiz Neto vem mantendo canal aberto para idéias surgidas em diversificadas cabeças, sempre com o fiel propósito de construção de uma sociedade evoluída. Tem ele sido preconizador da obediência às regras de correto Protocolo – segundo Houaiss – “conjunto de normas reguladoras de atos públicos, nos altos escalões do governo e na diplomacia; cerimonial”.
De minha parte, entendo, para inibir o grassamento da anarquia, – ainda que função antipática – alguém precisa exercer o dever de implantar a disciplina. Caro editor, peço permissão para engarupar-me com tema similar.
Parece-me bastante natural pretender entender a razão que leva pessoas a adotarem o antiético e doente comportamento de anular outras cujos créditos e merecimentos estão evidentes.
Frisei falta de ética e doença, no entanto, necessário se faz acrescentar inveja e cobiça aos bens de outrem. Examinados criteriosamente os Dez Mandamentos e os sete pecados capitais, constatar-se-á, não carecimento de ser douto, para entender que anulação do próximo, omissão de feitos ou alguém, caracteriza dano irreparável com flagrante pecado e crime moral.
As entidades e órgãos sociais não erram por sua sábia constituição, no entanto, os homens que as compõem, tomados pelo egocentrismo, pecam pela vaidade e soberba. Ao mencionar os sete pecados capitais, cabe observar a história.
Para Evagrius, os pecados faziam-se piores à medida que tornassem a pessoa mais egocêntrica, com o orgulho ou soberba sendo o supra-sumo dessa fixação do ser humano em relação a si mesmo. No final do século 6º, o papa Gregório reduziu a lista a sete itens, juntando ‘vaidade’ e ‘soberba’ ao ‘orgulho’ e trocando ‘acedia’ por ‘melancolia’ e adicionando ‘inveja’. Para fazer sua própria hierarquia, o pontífice colocou em ordem decrescente os pecados que mais ofendiam ao amor.
Das sete virtudes é preciso extrair para pautar a vida, a diligência que se opõe à preguiça; a paciência que se opõe à ira; a caridade que se opõe à inveja; a humildade que se opõe à vaidade.
Com ética, decisão e objetividade, as ações levam ao trabalho integrado dentro das próprias crenças; sem causar prejuízos, compaixão, amizade, e simpatia garantem auto-satisfação; um comportamento de total respeito ao próximo se alcança com modéstia.
Decisões apressadas ou não compromissadas com a história muitas vezes se ocupam em ofuscá-la, ocultando créditos devidos e inscritos publicamente nos anais da cidade, da entidade, do Estado ou do País.
Assim, negar crédito a quem o possui é subverter a ordem, equivalendo-se a usurpação de valores, que, de justiça, obrigatoriamente devem ser reconhecidos.
A vaidade não pode suplantar a honestidade, mesmo porque, quando mentes insanas priorizam anular pessoas, ações e resultados, o registro da história permanece vivo para garantir direitos e contraditar: a mentira, dizem, “tem pernas curtas”.
Garcia Netto
Jornalista
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.