A greve da Polícia Civil, que entra hoje em seu décimo dia, é apontada como a responsável pela transferência de três delegados da Seccional de Franca. O motivo seria um ofício enviado por dois deles ao comandante da Polícia Militar (PM), solicitando cópias de registros de ocorrência feitos por militares.
De acordo com o documento, os delegados teriam recebido denúncias de que os militares estariam levando casos de ocorrências para o Ministério Público sem antes passar por uma delegacia, como determina a lei. Com isso, policiais civis que atuam nas delegacias não visitadas poderiam responder a processos por descumprimento de função pública.
De acordo com fontes não oficiais, o ofício teria chegado ao poder da Secretaria de Segurança Pública (SSP), que teria determinado as transferências. Procurada, a SSP, por meio de sua assessoria, disse que as alterações foram por “motivos administrativos”, não explicando quais seriam.
O aviso informal da mudança foi dado na quarta-feira pelo delegado seccional Mauri Segui. João Walter Tostes Garcia e Alan Bazalha Lopes, do 2º DP, que assinaram o ofício, foram os principais afetados. Segundo informações da SSP, Tostes foi transferido para a assistência da Delegacia Seccional e Bazalha teria ido para a assistência da DIG (Delegacia de Investigações Gerais).
O delegado titular da Ciretran, Benedito Quiodeto, acabou atingido por tabela. Como ele é o único a ser comissionado em segunda classe, acabou tendo de assumir o 2º DP. Informações dão conta de que Tostes seria remanejado pelo delegado seccional, Mauri Segui, para o cargo de assistente em Igarapava.
Para João Tostes, o problema todo seria a usurpação de função por parte da Polícia Militar. “A gente queria era investigar para ver se essa usurpação de função (quando os militares assumem as tarefas dos civis) estava ocorrendo ou não. Era uma investigação que a gente ia fazer”.
O delegado disse ainda que o envio do documento teve o consentimento da seccional. “O ofício foi enviado com o conhecimento da seccional”. O delegado responsável pela Seccional foi procurado durante todo o dia de ontem, mas não foi encontrado para comentar as transferências. Um e-mail também foi enviado à PM, mas não houve resposta. O delegado Alan Bazalha foi procurado, mas não quis comentar a transferência. Já Quiodeto não foi encontrado.
Uma situação semelhante teria provocado a transferência do delegado seccional de Barretos, João Osinski Júnior, e a entrega de cargos de outros 16 delegados da seccional, em solidariedade a Osinski.
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