As previsões impressionam. Por ano, 410 mulheres da região de Franca vão desenvolver câncer de mama. As estatísticas são calculadas com base nos índices de incidência da doença apresentados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer). No HC (Hospital do Câncer de Franca), atualmente, 455 pacientes lutam contra a doença. A maioria tem mais de 50 anos. Na região, é o tipo mais comum da doença em mulheres. A dentista aposentada Mônica Rehder Wimmers Ferreira, 53, faz tratamento no HC pela segunda vez desde 2006.
Segundo o médico oncologista José Reinaldo de Paula Tasso, 38, a probabilidade de mulheres desenvolverem tumores nas mamas aumentou, mas a mortalidade reduziu. “Antigamente, havia muitas mortes por causa da doença. As pacientes logo morriam. Hoje, o câncer é descoberto mais cedo e os tratamentos são mais eficazes e acessíveis”. Se diagnosticado precocemente, os índices de cura chegam a 90%. “Um tumor de um centímetro tem entre 80 e 90% de chances de ser combatido. Já em um de cinco centímetros, 50%”. A conscientização das mulheres sobre o exame e o acesso aos diagnósticos e tratamento contribuem diretamente para o sucesso do tratamento.
O principal vilão das mulheres é o uso abusivo do cigarro. Mas outras hipóteses são apontadas para o surgimento do problema. O uso de anticoncepcionais pode predispor o aparecimento de tumores nas mamas. O mesmo ocorre com a diminuição do número de gravidezes. “Quanto mais a mulher menstrua, mais chance de ter tumor de mama. Nossas avós tinham seis, oito filhos. Ou estavam grávidas ou amamentando e não menstruavam. O pico de estrógeno na ovulação parece ser um dos maiores fatores que predispõem o desenvolvimento da neoplasia de mama”, disse José Reinaldo. “A gravidez cria a maturação da glândula mamária, formando uma proteção”.
Estresse e fatores hereditários também estão relacionados ao desenvolvimento desse tipo de neoplasia. “Se a paciente tiver na família irmã ou mãe com tumor, indicamos o rastreamento. Há casos em que a mastectomia (retirada da mama) profilática é indicada antes mesmo da mulher desenvolver o câncer”.
O médico disse que, de dez casos, oito são descobertos pela própria mulher. Ele incentiva o auto-exame, uma medida caseira e eficaz. Dos 20 até os 40 anos, a mulher deve escolher uma data do mês e apalpar a mama para verificar se não há nódulos ou secreção escura nos mamilos (veja quadro nesta página). O rastreamento de tumores por mamografia deve ser feito uma vez por ano a partir dos 50 anos. Se a pessoa tiver histórico familiar da doença, deve antecipar esse tipo de exame para os 35, 40 anos. “Aprender a apalpar e se conhecer é fator determinante para a descoberta e cura da doença. Se desconfiar de algo, a pessoa deve procurar atendimento médico de imediato”.
EXPERIÊNCIA PRÓPRIA
A dentista aposentada Mônica Wimmers Ferreira sabe bem a importância de observar o próprio corpo e estar atenta aos sinais dele. Depois de descobrir um tumor na mama esquerda em 2006, fazer a retirada total e reconstrução da mesma e se tratar com quimio e radioterapia durante um ano, encontrou um nódulo na mama direita ao se observar. Desde fevereiro, passou por outra operação e luta para combater a doença mais uma vez. “Fico atenta ao meu corpo, mas sem neurose. Quero viver muito ainda. Tenho muitos sonhos. Minha mãe tem 83 anos, meu pai morreu com 88. Se eu puxá-los, ainda terei 30 anos de vida. Tenho de me cuidar”, disse.
Apesar do susto com o reaparecimento da doença e das dificuldades vividas com a quimioterapia, Mônica está confiante na recuperação. “Vejo a mão de Deus na minha doença. As portas foram se abrindo no meu tratamento, foi tudo muito rápido, recebi muito apoio do meu marido, filhos e amigos. Além de rever meus conceitos”, disse. “Sempre fui muito vaidosa. Na primeira vez que fiz quimioterapia, meus cabelos, cílios e sobrancelhas caíram. Era muito difícil me olhar no espelho daquele jeito. Mas consigo parar e ver meus valores, o que realmente importa”.
Mônica aponta a independência como uma das conquistas a partir do tratamento. “Na minha vida, sempre foi tudo fácil. Na minha profissão, passava para meu marido, que também é dentista, quando tinha algum caso que achava complicado. Sempre me desviava dos obstáculos. Com o câncer, eu tenho de enfrentar”.
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