Zona rural sofre com falta de carteiros


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Tão corriqueiro quanto pagar as contas da casa todo mês é receber os boletos pelo correio. Além das faturas de telefone, cartão de crédito e energia elétrica, por exemplo, o serviço é utilizado para o envio dos mais diversos papéis e objetos. Mas na zona rural de Franca, o simples acesso à correspondência diária é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos moradores. Como a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) não faz entregas em sítios e chácaras, nem mesmo nas propriedades mais próximas à área urbana, quem vive nesses locais precisa se deslocar quase todos os dias até a agência do Centro para retirar cartas e encomendas. Há sete anos, a dona de casa Raquel de Fátima Hamuy, 42, se mudou para uma chácara no Condomínio Quinta do Bosque, no quilômetro 1 da Rodovia João Traficante (Franca/Ibiraci -MG). As ruas do loteamento, que fica ao lado de bairros como o Ana Dorothéia e Paraty, são pavimentadas e todas as casas possuem numeração. Mesmo assim, nenhuma entrega é feita no local. “É um grande transtorno para todos nós. São 46 famílias que moram aqui e muita gente perde compromissos”, diz Raquel. De acordo com o supervisor do Centro de Distribuição dos Correios de Franca, Adilson Montovani, é norma da empresa cobrir apenas o perímetro urbano. “Não é por causa da distância. Esses condomínios ainda não foram urbanizados pela Prefeitura e são considerados zona rural. Não temos como fazer nada”. A falta de estrutura é outro problema. Atualmente, são 125 carteiros para distribuir cerca de 90 mil cartas e encomendas por dia. “Precisaríamos de mais funcionários e viaturas para ampliar o serviço e isso depende de aprovação pela diretoria”, disse Adilson. Para ter acesso às cartas, alguns moradores contratam uma Caixa Postal - um bloco numerado instalado na agência central dos Correios, de onde elas devem ser retiradas em até 30 dias. Cada bloco pode ser alugado por um período de seis meses a dois anos, com custo de R$ 26 a R$ 104. Dos 350 blocos disponibilizados para Franca, 90% já estão ocupados. Mas o serviço não agrada a todos. Desde que se mudou para um sítio no quilômetro 2 da Rodovia João Traficante, a dona de casa Cássia Freitas, 48, passou a fornecer o endereço de parentes. “É melhor que a caixa postal, já que de qualquer forma tenho que sair para buscar as cartas”, disse.

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