A cara dos donos do poder


| Tempo de leitura: 2 min
“Se você quiser conhecer um homem, dê-lhe o poder”. A antiga e inconformada frase encaixa perfeitamente naqueles que hoje nos governam. Quando pontificavam na oposição, todos posavam de libertários e respeitadores dos direitos do povo. Depois de chegarem ao poder mudaram e tramam até a volta da censura ao jornalismo e aos veículos de comunicação. Parece terem esquecido os inflamados discursos e as promessas lançadas quando lutavam pelas posições que hoje ocupam. O projeto que o presidente Lula encaminhou ao Congresso, criminalizando os jornalistas e os veículos que divulgarem o conteúdo de conversas grampeadas, é uma escandalosa ameaça à liberdade de imprensa neste país. Em vez de incriminar quem divulgou, a lei deve punir quem grampeou e vazou a informação, este sim um criminoso. Jornalistas, jornais, rádio, televisão e sites de internet são apenas meios de comunicação reconhecidos universalmente e de utilidade social. Seu direito de informar jamais poderá ser maculado, especialmente num regime democrático. Para conter seus excessos já existem leis. Evidente que para certos figurões, especialmente os do governo e do meio político, seria mais cômodo que determinados informes conseguidos através de grampos não fossem divulgados. Isso evitaria muitos escândalos, a indignação popular e, principalmente, manteria a impunidade que normalmente interessa às castas dominantes. O povo, nesse caso, mais uma vez, continuaria enganado. Em vez de tentar arrolhar a imprensa, o presidente, o ministro da Justiça e todos os homens e mulheres influentes do governo deveriam estar preocupados é com a promiscuidade que envolve os próprios órgãos governamentais onde arapongas, em vez de executar suas funções estratégicas, passaram a bisbilhotar adversários e propositadamente vazar as informações para gerar escândalos e resultados. Também deveriam cuidar com mais rigor para evitar irregularidades e corrupção nos próprios escaninhos do poder. Agindo nessas duas direções, não haveria a menor utilidade na tentativa de criminalização do trabalho da imprensa, que por dever só cumpre a sua obrigação. O Brasil já possui leis suficientes para defender suas instituições. O caso da grampolândia pode requerer, no máximo, algumas atualizações para recepcionar o avanço tecnológico. No mais, apenas o cumprimento rigoroso da legislação seria o suficiente. Qualquer outra ação, especialmente o cerceamento da liberdade de imprensa e do sagrado direito da sociedade ser bem informada, só serve para mostrar à Nação a verdadeira cara e a ideologia daqueles que a vida inteira se travestiram de democratas, mas era só uma cara para chegar ao poder... Dirceu Cardoso Gonçalves Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários