Casas racham em Restinga; moradores culpam pedreiras


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RECLAMAÇÃO  - Eliana Hilário mostra a rachadura na parede da área de sua casa
RECLAMAÇÃO - Eliana Hilário mostra a rachadura na parede da área de sua casa
Os moradores nos Bairros Parque Mogiana II e Maria Lacerda, em Restinga, estão revoltados. Rachaduras apareceram nas paredes e nos muros de pelo menos 20 residências. As famílias acusam as quatro pedreiras que estão instaladas no município de provocar os danos. Os moradores também reclamam dos barulhos e tremores ocasionados pelas explosões para quebrar as rochas. O principal alvo da reclamação dos moradores é a pedreira que fica a pouco mais de 500 metros de distância dos bairros. Na casa da cabeleireira Eliana Soares Hilário, 28, a rachadura que começou no teto já atravessou toda a parede e atingiu o chão que é de cimento. “O trincado começou bem discreto e hoje o buraco está grande em alguns pontos da parede. Quando as pedreiras detonam as pedras, o chão da minha casa treme todo. É assustador”. A agente de saúde Waldeci Ângela Rossato, 54, também convive com o problema. “Fico com medo da rachadura aumentar e a minha parede cair”, disse ela, que até registrou boletim de ocorrência e reclamou na Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). O muro da residência da dona de casa Selma de Souza Balheiro, 45, balança só de encostar. “Ele não era assim. Hoje pode cair a qualquer momento. Dia desses, durante uma detonação, minha televisão quase caiu no chão”. Outra que reclama é a dona de casa Ellen Cristina Ferreira, 20, que mora mais próximo da pedreira. “Quando tem a detonação treme tudo. Dá até medo de ficar dentro de casa”. A agricultora Célia Higino Pereira, 36, disse que reclamou com os responsáveis pela pedreira, mas de nada adiantou. “Corremos o risco da nossa casa cair. Meus filhos ficam com muito medo na hora das detonações”. O encarregado da pedreira que é alvo dos moradores, Mário Garcia Barbosa, 77, disse que as queixas não procedem. “Ninguém nunca reclamou das rachaduras. Quando chegamos aqui, o pessoal falou da poeira. Resolvemos esse problema. Agora quanto às rachaduras, eu desconheço”. Barbosa também se defende das reclamações de explosões diárias e dos barulhos. “Fazemos duas detonações por mês e tomamos todas as medidas para reduzir o barulho. Usamos um aparelho que mede o barulho e o tremor”. Segundo Barbosa, em cada detonação, são usados 600 quilos de explosivos e detonados 2 mil metros quadrados. O superintendente da Cetesb, Francisco Setti, afirma que as quatro pedreiras têm licença para funcionar, mas que já recebeu reclamações. “Acompanhamos as detonações, mas há registros de mais de duas explosões por semana. Vamos continuar acompanhando os casos”. Engenheiros da Cetesb devem visitar as pedreiras. “Se houver irregularidades, tomaremos providências”. Colaborou Bárbara Borges

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