Franca registra 211 novos calotes por dia e falta de crédito atinge 18 mil neste ano


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Todos os dias 211 dívidas de francanos são incluídas no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Os dados são da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) que, de janeiro a agosto deste ano, contabilizou a inserção de 17.945 contas no cadastro de devedores. É como se a cada sete minutos, uma nova conta fosse inserida na lista negra. Os motivos que levam ao crescimento deste número são os mais diversos, mas concentram-se principalmente na grande oferta de crédito, no impulso pelo consumo e, claro, no não controle das despesas em relação ao salário líquido. “As pessoas assumem compromissos acima do permitido. Não há uma disciplina”, afirma o professor de economia e pesquisador do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais), Hélio Braga Filho, que orienta os consumidores a colocar todas as contas na ponta do lápis (veja dicas no apoio). Para quem já está com o famoso “nome sujo”, nesta época do ano a procura pela regularização é cada vez maior. Uma das justificativas é a proximidade com o fim de ano quando todos querem ter crédito para as compras de Natal. De junho a agosto, as exclusões passaram de 3,5 mil mensais para 3,9 mil. Avanço semelhante ao ocorrido no mesmo período do ano passado. “A procura para saber se o nome está com restrições é grande e boa parte vem disposta a resolver a pendência”, disse Aparecida Rodrigues Rosa, supervisora do SCPC na Acif. No balcão de informações, onde a associação oferece o serviço gratuitamente, passam por dia em média 300 pessoas. Não há um controle sobre a quantidade de homens ou mulheres, mas as quatro atendentes que fazem a consulta dizem que a demanda é mista. “Tem muitas mulheres, mas a procura por homens também é grande”, disse a atendente Angélica Márcia. Ontem, em dez minutos, a reportagem contou oito atendimentos, a maioria apontou débitos em atraso. “A lista é grande e a maioria das dívidas é de lojas, seguidas de bancos, financeiras e protestos”, revelou Aparecida. O pespontador Jarbas Ribeiro da Costa foi um dos que procuraram o serviço na tarde de ontem. A intenção dele era saber se havia restrições que o impedissem de comprar um carro. “A gente nunca sabe como está, por isso precisa fazer a consulta”, disse Costa. Para a felicidade do pespontador, o levantamento não apontou débitos pendentes. Mesma sorte não teve outro consumidor, que preferiu se identificar apenas como Luiz. Há três anos ele tenta retirar o seu nome do SCPC, mas enfrenta dificuldades. “Tentei abrir um negócio próprio que não deu certo. Contraí muitas dívidas que agora tento pagar em prestações. De seis pendências, ainda tenho uma”.

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