Para os leigos no assunto – embora em Franca devam constituir uma fração da minoria – preciso definir que, a forma, na língua dos sapateiros, é um pedaço de plástico rígido em formato do pé, sobre o qual é construído o calçado.
Deveria ser assim, mas nem sempre a forma imita realmente a anatomia do pé. Deste descompromisso é que resultam problemas graves para a saúde de quem calça e desconforto extremo.
Há pouco tempo escrevi neste espaço sobre os danos que um calçado inadequado pode causar aos pés das crianças. É óbvio que o mesmo se aplica aos pés dos adultos, onde os danos se referem muito mais às calosidades de que às deformações definitivas, desde que os ossos dos pés já se solidificaram.
Porque estou abordando novamente o assunto? Há poucos dias, numa fábrica de tênis masculinos e femininos, olhando as formas, tive atenção despertada para uma forma feminina que, de algum modo, não se enquadrava naquilo o que era de se esperar de uma forma feminina. Por mais que as mulheres estejam se igualando aos homens em todos os setores da vida moderna, isso nada tem a ver com anatomia (graças a Deus) e muito menos com a anatomia dos pés.
O pé feminino, embora constituído do mesmo número de ossos, ligamentos e tendões, é definitivamente mais delicado, principalmente na largura, comumente chamada de bola.
E quando medi a dita forma e comparei com tabelas de medidas exatas, vi que a forma realmente fugia a qualquer padrão do razoável. Pelas tabelas aceitas internacionalmente, distinguimos doze larguras dos pés de 1 a 12. Os americanos usam letras no lugar de números que vão de AAA ao H. Por aí se vê de como pode variar o pé humano. Estatísticas nos dizem que 65% das pessoas se enquadram na categoria média, de 5 a 8, ou nas letras americanas de C a E; 30% nas demais e 5% ficam por conta de pessoas que têm deformações nos pés e, em razão disso, não se enquadram em nenhuma das larguras oferecidas. São os calçados especiais. Quem trabalhou com exportação sabe que, para simplificar, os norte-americanos reduziram as larguras para N (narrow), M (medium) e W (wide), ou seja estreita, média e larga.
Voltando à forma que despertou minha desconfiança: medi a forma e descobri que a largura dela era 12! Em outras palavras, tênis feminino era produzido em forma cuja largura é usada para botas de pára-quedistas, bombeiros e de segurança de alto risco!
Comentando o fato com o dono da fábrica, ele disse com a maior simplicidade: “é, as meninas diziam que o pé está meio solto dentro do sapato. Mas antes assim. Pelo menos, não aperta!”. Com a palavra os fabricantes de formas...
ESPECIALISTAS
Um estudo denominado “Análise do mercado do calçado chinês” da firma indiana RNCOS prevê um crescimento da indústria de calçados chinesa para os anos de 2009 a 2013 entre 5 a 6% em valores e volumes. Dentre outras conclusões, afirma que nos próximos dez anos a indústria chinesa necessitará de 300 mil desenhistas e modelistas.
NOVA FEIRA
O crescimento da importância da Índia como produtora de peso de calçados está confirmado pelo fato que a organizadora das exibições APFL em Hong Kong (sempre bem visitada pelos expositores e visitantes brasileiros) trabalhará com uma organização indiana para abrir uma exibição semelhante, pela primeira vez em Nova Delhi, na primavera de 2009.
PROCESSO
Adidas abriu um processo contra a rede Wal-Mart nos Estados Unidos por estar vendendo calçado similar às três tiras registradas pela Adidas como a sua marca comercial. A primeira audiência será no dia 6 outubro em Portland, Oregon.
CRESCIMENTO RÁPIDO
O grupo português Sonae, entusiasmado com o sucesso das primeiras doze lojas de varejo de calçados (Loop) em Portugal, planeja abrir novas lojas na Espanha. O gerente das lojas portuguesas, Nuno Jordão, disse que não está descartada a possibilidade da abertura de lojas na Europa Central e Leste Europeu.
TREINAMENTO PARA MICROS
A Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) de Franca e o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) SP iniciaram ontem, na sede da Assintecal (Av. Paulo VI, 470 Jardim Lima), e prosseguirão, até o dia 25 de setembro, um treinamento com micro e pequenas empresas na área de formação de custos e preços com abordagem das questões mercadológicas e sistemáticas presentes no cotidiano empresarial. Com uma proposta mais direcionada, o treinamento oferecerá orientações diretas às empresas participantes, focando nas necessidades e nas demandas de cada empreendimento. (APF)
Zdenek Pracuch
Sapateiro, shoemaker – pracuch@comerciodafranca.com.br
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