O tempo frio e chuvoso espantou o público da 2ª Parada Gay de Franca, realizada domingo no Parque “Fernando Costa”. Das 20 mil pessoas esperadas para o evento, pouco mais de 1 mil compareceram, segundo a Polícia Militar. Mesmo assim, não faltou animação. A festa foi marcada pela irreverência das drag queens, que dividiram o palco com os dançarinos de boates, conhecidos como gogoboys, e com a cantora de música eletrônica Saynne G. O som ficou por conta dos DJs Beto Spiller, Giovani e Edu K.
A baixa temperatura, em torno dos 16 graus, serviu de pretexto para algumas pessoas exagerarem no consumo de bebidas alcoólicas, mas os casos de excesso não geraram ocorrências graves. Para esquecer - na medida do possível - o frio intenso, a maioria preferiu abusar do bom humor. “Hoje não tem tristeza, meu bem. Afinal de contas, para nós, bichas, é verão o ano inteiro”, disse a drag francana Nega do Bafão.
Com orçamento pequeno, houve apenas atrações locais. A falta de patrocinadores impediu a contratação de modelos de revistas famosas, como G Magazine e Sexy, e da apresentadora da Rede TV!, Luciana Gimenes, como queriam os organizadores. Para completar, a atração mais cara preparada para o evento - a chegada de um helicóptero com um dos gogoboys - foi cancelada por causa do mau tempo.
A Parada atraiu muitos curiosos e simpatizantes do movimento GLBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Quem não estava acostumado achou estranho ver casais de gays e lésbicas abraçados e aos beijos, comportamento que a maioria dos homossexuais ainda evita ter nas ruas.
É o caso do designer de calçados Francisco*, de 18 anos, e do publicitário Rodrigo*, de 25, que estavam juntos no evento. Para eles, os olhares de espanto incomodam. “Uma vez beijei um namorado na rua e uma pessoa tropeçou e caiu. Foi muito chato”, disse Francisco, que hoje procura ser mais discreto. “As pessoas não estão preparadas. Prefiro não me expor dessa forma”.
Namorando há um ano e meio, as estudantes Camila* e Letícia*, ambas de 22 anos, também já foram vítimas de discriminação. Na Parada Gay, tiveram liberdade para agir como um casal comum. “Acho que a discussão tem que ser ampliada em todos os espaços da sociedade, não só aqui. Esse evento é apenas o resultado de uma mobilização política que acontece o ano todo”, disse Letícia.
CRIANÇAS
A venda de bebidas alcoólicas e o forte apelo sexual das apresentações dos gogoboys e das drag queens não impediu a entrada de crianças na Parada Gay. Segundo Maria Cristina Pereira Lopes, escrevente-chefe do Cartório da Infância e Juventude de Franca, a entrada de menores não foi proibida porque o evento ocorreu num espaço público e sem cobrança de ingresso. “A decisão coube aos pais”, disse Maria Cristina.
* Nomes trocados a pedido dos entrevistados
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