Basquete sobre rodas


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Enquanto muitos jovens vivem no sedentarismo, preferem ficar em casa assistindo TV ou não saem de frente do computador, em Franca, um grupo faz exatamente o contrário. Pelo menos duas vezes por semana ele se reúne para treinar basquete. Mas para quem integra o time, mais do que a prática de exercício físico, o esporte é sinônimo de superação. Todos eles possuem alguma deficiência física e vivem sob uma cadeira de rodas. O grupo formado por 20 cadeirantes entre homens e mulheres de diferentes idades se reúne para treinar nas tardes de terças e sextas-feiras, na quadra da Unifran (Universidade de Franca). Através do esporte eles têm superado os seus limites e ganhado mais auto-estima. Adriano Modesto de Souza, 25, faz parte dessa equipe. Ele sofreu um acidente de moto há três anos e ficou paraplégico. Desde então, as sessões de fisioterapia foram constantes. Ao saber do grupo de cadeirantes que treinava basquete, ele logo quis fazer parte. “Faz seis meses que treino. Me sinto bem depois que comecei a praticar atividade física. Percebi uma melhora física mais rápida até para as atividades do cotidiano”, disse. Para os atletas, os treinos são uma maneira de aumentar a resistência física, a agilidade e ainda de se distraírem. Além disso, os jogadores recebem o acompanhamento de psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas. Érica Bernardo Bettarello, mãe do atleta Antônio Gabriel Bernardo Bettarello,16, diz que já percebeu a melhora depois que o filho entrou para o grupo. “Sua saúde melhorou depois que começou a treinar. Na escola, ele até conseguiu uma autorização para chegar mais tarde nos dias do treino. Todos percebem que ele gosta e que faz bem a ele vir aqui”, disse. PROJETO EXISTE HÁ SEIS MESES A iniciativa do projeto foi da professora universitária Maria Georgina Marques Tonello, que leciona aulas de Educação Física Adaptada, na Unifran. “Mesmo com a força do basquete na cidade, não havia nenhuma preparação para atletas com estas condições. Os treinamentos começaram em abril com um grupo de interessados formado por quatro atletas”, disse. Em seis meses o número cresceu cinco vezes. Pela falta de recursos financeiros, os jogadores não utilizam cadeiras especiais. Cada uma custa em média R$ 1.300 e proporciona maior proteção, estabilidade e agilidade para os atletas. Os organizadores do projeto pretendem expandi-lo e criar categorias separadas para competições. Para jogarem, os esportistas são avaliados e recebem uma pontuação de acordo com o grau de mobilidade e agilidade que ele possui. Nos jogos a soma dentro da quadra não pode ultrapassar 14 pontos por time. “É necessário fazer uma análise dos escalados. Não podemos colocar muitos bem preparados porque ultrapassaria a pontuação-limite. Precisamos balancear”, disse Pablo Costa, coordenador dos treinos.

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