Polícia procura 420 por não pagar pensão


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Imagem de cela da cadeia pública do Jardim Guanabara, para onde são recolhidos nove homens por semana pelo não pagamento de pensão alimentícia
Imagem de cela da cadeia pública do Jardim Guanabara, para onde são recolhidos nove homens por semana pelo não pagamento de pensão alimentícia
A cada semana de 2008, nove francanos vão parar atrás das grades por não pagarem a pensão alimentícia dos filhos. Ao todo, 320 pais não honraram seus compromissos com a lei e ficaram detidos até o pagamento das dívidas. E esse número tende a mais que dobrar: 420 homens têm mandados de prisão expedidos pelo mesmo motivo e estão foragidos da polícia. Hoje, a Cadeia do Jardim Guanabara abriga cerca de 12 homens que estão devendo pensão. A maioria dos detidos é de baixa renda e tem idades entre 20 e 50 anos. Segundo o delegado Wanir José da Silveira, a maior parte dos devedores consegue o dinheiro para pagar os dividendos e acaba ficando preso apenas um dia. “Os presos por pensão são rotativos. Alguns saem no mesmo dia, outros demoram um pouco mais até conseguir o dinheiro e quitar a dívida”, afirmou Silveira, acrescentando que existe uma cela especial para pessoas que cometem crimes de ordem civil. Essa infração é a que mais movimenta o presídio. Entre um e três mandados são cumpridos diariamente, num trabalho de todas as delegacias da cidade. Ainda segundo Wanir José da Silveira, delegado que responde interinamente pela cadeia, o perfil predominante dos presos é de homens, de baixa renda, sem antecedentes criminais e a maior parte ganha salário mínimo. “São pagamentos que giram em torno de R$ 50 a R$ 100 por filho. Muitos têm mais de um filho. São, geralmente, assalariados, mas já cheguei a prender empresários. Me lembro de um caso que o homem devia mais de R$ 4 mil de pensão. Ficou dois dias preso e, após pagar o que devia a sua ex-mulher, foi liberado”, disse Silveira. Empresários, sapateiros, desempregados, vendedores, lavradores. As histórias se repetem e o desfecho também: não pagou, vai preso. Foi o caso do encanador JMS, 38, morador no Bairro Cidade Nova. Ele ficou 11 horas preso e disse que nunca mais quer voltar para a cadeia. “Não fui mal tratado, mas nunca estive envolvido com a polícia. Estava com dificuldades e atrasei em quatro meses as pensões de meus dois filhos. Minha mãe me ajudou a arrumar o dinheiro e saí no mesmo dia. Nunca mais vou atrasar a pensão”, disse ele, que pagou R$ 600 da pensão e mais custas advocatícias para ser liberado. NA CONTA DOS AVÓS Há casos ainda em que terceiros podem responder pelo “calote” dos pais em atraso com a pensão alimentícia. Um dos exemplos é o episódio vivido pela dona de casa RS, 42. Casada por dez anos com um sapateiro, teve dois filhos. Após a separação, o rapaz não ajudou financeiramente na educação e criação dos filhos. Decidiu, então, procurar uma advogada e cobrar judicialmente a pensão alimentícia retroativa há cinco anos, período resguardo pela legislação. Entrou com uma ação há dois anos e, desde então, o sapateiro desapareceu. Há seis meses, RS recebeu a notícia de que o ex-marido estava no Japão a trabalho. Em maio último, descobriu que ele havia retornado a Franca e, novamente, requereu o pagamento. “Ele tinha obrigação de ajudar. Não fiz os filhos sozinha”, disse. O problema é que, em junho, o sapateiro morreu. Com isso, sem alternativas, a mulher decidiu responsabilizar os avós paternos da criança. “A advogada disse que é a primeira vez que ela vê uma situação assim. Ele morreu, mas a dívida fica. Portanto, seus pais têm que responder por sua responsabilidade”. A advogada está agora mudando o foco do processo para responsabilizar os avós.

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