Neste domingo, Deus-Pai, o mais justo e bom “patrão’ nos convida a entender e a viver o seu “modo de ser” que é bem diferente do nosso em determinados momentos, principalmente quando se trata do exercício do perdão.
O “jeito” de Deus é um mistério e este mistério se manifesta em tantas pessoas que superam dificuldades, ultrapassam barreiras na convivência diária e se abrem fraternalmente a todos, com atenção carinhosa aos mais fracos. As leituras que serão proclamadas durante as missas são trechos do profeta Isaías 55; Filipenses 1; Mateus 20.
O profeta Isaías escreve aos seus compatriotas exilados na Babilônia. O motivo que os colocou numa terra estranha foi a infidelidade a Deus por não escutarem a palavra dos profetas.
Eles estão sem esperança, pois têm certeza que Deus nunca mais poderá perdoar os graves pecados que cometeram.
O erro deles é imaginar um Deus à sua própria imagem e semelhança e se esquecem que Deus não é um homem.
O seu modo de pensar e de agir não deixará jamais de surpreender.
Na leitura de hoje o profeta diz aos israelitas exilados e a todos os que continuam pensando como eles: “convertei-vos, mudai a vossa forma de pensar”.
A conversão pedida está direcionada acima de tudo na mudança radical no modo de formar o conceito de Deus.
A leitura nos prepara para ouvir a mensagem do evangelho deste dia, que apresenta Deus com um modo de agir que contraria a lógica humana.
O profeta revela o que Deus pensa: “os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, os vossos caminhos são diferentes dos meus. Tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e os meus pensamentos ultrapassam os vossos”. (55. 8-9).
A segunda leitura é o trecho inicial da carta de Paulo aos Filipenses. Essa comunidade era constituída por pessoas muito boas e generosas. Quando escreve sua carta, Paulo se encontra em Éfeso, na prisão, por causa do Evangelho.
A carta aos Filipenses revela as emoções mais íntimas, mais doces, mais ternas do coração de Paulo. Por muitos anos trabalhou pela causa do Evangelho, suportou muitos sofrimentos e muitas contrariedades; agora sente-se bastante cansado e começa a pensar sempre com maior freqüência no encontro definitivo com Jesus ao qual dedicou a sua vida de convertido.
Deseja morrer para estar sempre com Cristo, mas gostaria também de continuar trabalhando para a difusão do Evangelho e para fortalecer as comunidades que fundou.
Então, num gesto de grande generosidade, se declara disposto a adiar por um pouco de tempo o seu encontro com Cristo para continuar servindo os irmãos.
Os seus sentimentos podem ser resumidos na frase que foi colocada no seu túmulo em Roma: “para mim o viver é Cristo, e o morrer um lucro”.
Mateus nos conta a parábola da videira que é a imagem tradicional de Israel. A parábola revela a situação de desemprego existente na Palestina no tempo de Jesus. A jornada costumava ser de sol a sol e era paga diariamente.
A parábola do bom patrão mostra que Jesus estava muito engajado e por dentro da vida e do sofrimento do seu povo.
Com essa parábola, Jesus nos revela quem é Deus: Pai bondoso que age além da justiça e da compreensão humana. O importante é que todos tenham o necessário para viver bem e serem felizes. Na justiça do Reino de Deus, não há lugar para discriminações.
A parábola conta que o patrão saiu em várias horas do mesmo dia para contratar operários para a sua vinha. No final do dia pagou a todos do mesmo modo.
O evangelho mostra que Deus nunca se cansa de sair ao encontro do homem, mesmo quando este falha em todos os encontros. Ele não remunera pelos próprios méritos.
Esta parábola revela que na Igreja não deve haver aqueles que exigem mais porque chegaram antes; ninguém deve sentir-se um veterano porque se converteu antes a Cristo. Todos são iguais. Ninguém é o “senhor” da vinha, pois todos são operários e se encontram no mesmo nível: não há motivos para superioridade.
O cristão ama porque descobriu como é bonito amar desinteressadamente, como o Pai. Faz o bem pelo prazer de fazer o bem.
EXCLUÍDOS, ATÉ QUANDO?
O Evangelho nos faz entender que Deus não quer ninguém longe do seu coração paternal. Essa atitude de Deus enche-nos de gratidão e abre-nos a enxergar a bondade divina para todos. Existem muitas pessoas que são excluídas: são os descartáveis, os “massa sobrante”. A Igreja Católica, através da Caritas Diocesana, trabalha, com ardor, para ajudar na solução: pastoral da criança, pastoral do menor, pastoral dos nômades e ciganos, domingo fraterno, farmácia. Sente-se limitada por falta de recursos financeiros. Quem sabe, nossos candidatos se preocupassem com isto também. Constantemente recebemos famílias, no domingo fraterno, que foram encaminhadas por determinado político (já eleito), mas que não nos ajuda para ajudar! É fácil assim!
EM APARECIDA
Nesta semana participamos de uma romaria até a Basílica de Aparecida: 43 pessoas da Catedral. Que experiência agradável. Desde a saída até o retorno, reinou o desejo de estar junto de Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira. Valeu a pena, pois voltamos fortalecidos pelo amor da Mãe que nos mostrou que o seu Filho está sempre perto dos que o invocam.
PENSAMENTO
“A bondade de Deus ultrapassa os critérios humanos”.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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