‘O basquete é um patrimônio de Franca’


| Tempo de leitura: 9 min
UMA NOVA FASE - Presidente do Franca Basquete, o médico Fransérgio Garcia diz que vai priorizar a colocação das finanças em dia para depois pensar em reforços para o time, que disputa o Campeonato Paulista
UMA NOVA FASE - Presidente do Franca Basquete, o médico Fransérgio Garcia diz que vai priorizar a colocação das finanças em dia para depois pensar em reforços para o time, que disputa o Campeonato Paulista
<p>Nas últimas semanas, o polêmico fim da parceria entre Franca Basquetebol Clube e a cooperativa médica Unimed dominou grande parte das discussões esportivas da cidade. Logo na seqüência, os burburinhos sobre as razões do rompimento se intensificaram ainda mais com a assinatura do contrato com a empresa de telefonia Vivo como nova patrocinadora da equipe. No centro das discussões, o presidente do clube, Francisco Sérgio Garcia. </p><p> </p><p>Sob sua responsabilidade, o time poderá viver uma transformação. Além dos R$ 110 mil mensais em dinheiro (valor apurado pelo Comércio), no dia da assinatura do contrato ficou evidente que a Vivo não quer apenas estampar sua marca na camisa por uma temporada: o projeto pode se tornar algo muito maior que isso. Exemplo é o patrocínio da multinacional ao vôlei do Minas Tênis, de Belo Horizonte, onde a parceria completou dez anos em 2008. </p><p><br />Aos 60 anos, o médico cardiologista assumiu - no dia 1º de julho - o seu segundo mandato na presidência do Franca Basquete. Nos anos 70, foi jogador de basquete e defendeu Franca em um time onde também atuavam seus irmãos Hélio Rubens Garcia (hoje treinador da equipe) e Totô (residente em Ribeirão Preto), formando o trio que logo foi apelidado de “Irmãos Metralha”. Em 1975, Fransérgio, como gosta de ser chamado, concluiu sua graduação em medicina na Universidade de Uberaba. No mesmo ano, casou-se com Leda Maria Miguel Garcia, com quem vive até hoje.</p><p><br />Para chegar à presidência do clube, Fransérgio derrotou o dentista José Guilherme Calil Maia na primeira e única eleição da história do clube. Na ocasião, o voto e a indicação do também médico Élson Rodrigues, presidente da Unimed, foram decisivos para a vitória de Garcia. Mais uma saia-justa que o novo presidente teve de enfrentar com o colega de profissão.</p><p><br />Fransérgio recebeu a equipe do Comércio em seu consultório e durante 40 minutos de conversa alternou momentos de seriedade e descontração, falou sobre as perspectivas de seu mandato à frente do Franca Basquete, de seu relacionamento com seu irmão e “subordinado”, o técnico Hélio Rubens, além do momento vivido pelo basquete brasileiro, que em 2009 terá a primeira disputa de um campeonato nacional organizado pelas próprias equipes.</p><p> </p><p><strong>Comércio da Franca - Logo no início da sua gestão, foi anunciado que o contrato com a Unimed não seria renovado. Por que a parceria acabou?<br />Fransérgio Garcia -</strong> Assim que assumimos a direção do clube tomamos ciência da situação financeira do Franca Basquete e concluímos que a soma das verbas não seria suficiente para a manutenção de toda a estrutura, que também engloba o time. Tentamos conversar com a Unimed com o objetivo de aumentar os valores, mas a resposta foi negativa. Posteriormente, também tentamos negociar a entrada de um co-patrocinador, que nos ajudaria muito em termos financeiros. A proposta também foi recusada. A partir deste momento, começamos as negociações com a Vivo e acabamos acertando este novo patrocinador.<br /><br /><strong>Comércio - No dia da eleição, o médico Élson Rodrigues, presidente da Unimed, esteve presente na votação e defendeu a sua candidatura. O rompimento comprometeu o seu relacionamento com ele ou com a cooperativa?<br />Fransérgio - </strong>O Élson esteve lá na qualidade de conselheiro indicado (todo patrocinador do time tem uma vaga a uma cadeira no conselho) e também como presidente da Unimed. Minha candidatura foi apoiada por ele porque eu sou membro da Unimed e para eles ninguém melhor do que alguém que conhece a cooperativa para estar à frente do clube. Como eu já havia dirigido o clube na década de 90, acredito que a minha experiência anterior também tenha tido um certo peso na eleição, que aconteceu de maneira correta e com a presença de vários conselheiros do Franca Basquete.<br /><strong><br />Comércio - Quando o senhor decidiu montar uma chapa própria para concorrer? O Hélio Rubens teve alguma influência na sua decisão?<br />Fransérgio- </strong>Dias antes da eleição, o Hélio me sugeriu que eu voltasse a atuar de maneira mais ativa no basquete, alegando que minha experiência e vivência no meio do esporte poderia ajudar. Na verdade, nós tentamos fazer uma composição com a chapa que estava dirigindo o clube. Tivemos seguidas conversas, mas apenas duas horas antes da eleição é que fiquei sabendo que a outra chapa havia se inscrito, descartando assim a união. Imediatamente, convoquei algumas pessoas que estavam interessadas em ajudar, montei a chapa e acabamos vencendo a eleição.<br /><br /><strong>Comércio - Quanto a Unimed repassava ao clube e quanto a Vivo repassará?<br />Fransérgio -</strong> Não vou falar dos valores em si, mas a diferença é de aproximadamente 40%, o que faz muita diferença, pois a situação financeira vivida pelo clube era e ainda é preocupante. Agora vamos buscar incrementar a venda e a exploração dos espaços publicitários no ginásio do Póli e trazer o torcedor de volta para as arquibancadas com o fortalecimento do nosso programa de sócio-torcedor, que também é uma importante fonte de renda para o clube.<br /><br /><strong>Comércio - Na qualidade de antiga patrocinadora, a Unimed também fornecia os planos de saúde dos atletas e de seus familiares. Como ficou esta situação?<br />Fransérgio -</strong> A Unimed continuará dando assistência aos jogadores. Chegamos a um acordo comercial com eles e o clube será responsável por pagar as mensalidades. Chegamos a propor uma parceria em troca de algum tipo de publicidade, mas isso não foi aceito. Então decidimos comprar os planos. Como acreditávamos que a Unimed aceitaria ser um co-patrocinador, os contratos dos jogadores foram assinados com a garantia dos planos de saúde. Apesar da parceria não ter continuado, fechamos com eles para esta temporada.<br /><br /><strong>Comércio - Quem intermediou a negociação do contrato de patrocínio entre o Franca Basquete e a Vivo?<br />Fransérgio -</strong> O Magazine Luiza sempre esteve ao nosso lado para ajudar o basquete e a presença do Erasmo Rodrigues (marido de Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues, superintendente do grupo) na vice-presidência do clube reforçou isso. Foi sinalizado que havia o interesse da Vivo em patrocinar o time. A princípio, a empresa seria co-patrocinadora e nossos trabalhos foram todos direcionados neste sentido. Diante do fato da Unimed não aceitar um outro parceiro, passamos a trabalhar com um valor um pouco maior e fechamos a parceria. O ideal seria garantir a presença das duas empresas, o que daria um volume maior em verbas, mas infelizmente isso tornou-se inviável.<br /><br /><strong>Comércio - Atualmente, a sede do Franca Basquete funciona em um cômodo anexo ao Ginásio do Póli, cedido pela Prefeitura. A construção da nova sede será feita em seu mandato?<br />Fransérgio -</strong> O Franca Basquete é um patrimônio do município. Estamos trabalhando em alguns projetos para melhorar a infra-estrutura do clube de maneira geral, mas ainda não pensamos na sede. Já fazemos um trabalho social, visitando escolinhas de iniciação esportiva da Prefeitura na periferia, e agora alguns atletas e o Hélio (Rubens) estão engajados na campanha de doação de sangue. Nosso trabalho será direcionado nesse aspecto, de ajudar na formação dos cidadãos através do esporte.<br /><br /><strong>Comércio - Dizem que todas as decisões têm de passar por Hélio Rubens. Afinal, quem manda no Franca Basquete? O senhor ou o Hélio?<br />Fransérgio -</strong> Não tem quem manda no time. Existe uma diretoria, todos participam com suas opiniões e a escolha da maioria é respeitada. O Hélio é uma pessoa que respira basquete e é respeitado por onde vai e também tem peso nas decisões. Somente na NBA, onde os times têm proprietários, uma pessoa toma as decisões de cima para baixo, pois esta pessoa banca todas as despesas. Aqui trabalhamos em comunidade e nenhuma decisão é tomada de maneira unilateral.<br /><br /><strong>Comércio - Qual o salário atual do técnico Hélio Rubens?<br />Fransérgio -</strong> O Hélio ganha menos do que ele merece, pois é um técnico de renome, que recebe propostas e é reconhecido em vários mercados do basquete mundial.<br /><br /><strong>Comércio - E como é ser “patrão” do Hélio? Prevalece o lado presidente ou o lado irmão?<br />Fransérgio - </strong>Meu pai sempre pregou uma relação de muita franqueza entre os irmãos. Dizemos tudo que tem que ser dito. Existe muita irmandade e respeito não só com o Hélio, mas também com o Totô, que possui uma academia em Ribeirão Preto. Isso é uma herança que vou levar para o resto de minha vida.<br /><br /><strong>Comércio - O que o senhor achou da derrota para São José dos Campos na estréia do Campeonato Paulista? Analise, também, o que viu dos dois reforços do clube, Deivisson e Guilherme, vistos ainda com desconfiança pela torcida (o primeiro é consi-derado limitado e o segundo vem de seguidas contusões graves).<br />Fransérgio - </strong>Encaro de maneira natural, pois ainda estamos no início da temporada e a equipe tem muito a evoluir no preparo físico, entrosamento e também precisa ganhar ritmo de jogo. Com o passar das rodadas, o desempenho do time vai melhorar. O Campeonato Paulista será muito equilibrado e tenho certeza que estaremos entre as equipes que disputarão o título no campeonato onde buscamos a nossa terceira conquista consecutiva. O Guilherme e o Deivisson são jogadores que vão colaborar com o time e quando entrarem no ritmo vão ser muito úteis durante as partidas.<br /><strong><br />Comércio - O time será reforçado para o torneio estadual?<br />Fransérgio - </strong>No momento temos um time competitivo e não vamos buscar jogadores aqui no Brasil ou no exterior. Se no futuro a estrutura financeira do clube permitir a contratação e surgir algum atleta em condições de defender a nossa equipe vamos estudar. No momento, estamos focados em equilibrar as finanças do Franca Basquete e somente depois algo relacionado a reforços será debatido.<br /><br /><strong>Comércio - Várias equipes, como Brasília e Minas, estão se reforçando com jogadores de seleção para a Liga Nacional e já são apontados como favoritos. Nem para este torneio, que será sabidamente mais difícil que o estadual, o time terá reforços?<br />Fransérgio - </strong>Atualmente está muito complicado contratar jogadores, sejam brasileiros ou estrangeiros. A primeira opção deles é a NBA. Depois, vêm o basquete europeu e a Ásia. Ficamos como quarta opção para estes atletas. Sempre surgem aqueles jogadores que não se adaptaram às condições de onde jogam e acabam desligados de suas equipes. Se aparecer algo que nos interesse e complete as necessidades do elenco, vamos submeter o nome à nossa comissão técnica, verificar as condições financeiras e decidir se contrataremos ou não. Chegamos a conversar com o Murilo, mas a proposta que ele recebeu do Minas era completamente fora da realidade do Franca Basquete. Quanto ao favoritismo das equipes, costumo citar sempre o exemplo da seleção brasileira feminina de futebol. Sempre jogava bem, encantava e vencia quase todos os jogos, mas no momento de decisão as meninas eram derrotadas, como aconteceu na Olimpíada. Temos um time competitivo e vamos lutar pelos títulos, como sempre as equipes que representaram Franca nas competições fizeram. <br /></p>

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários