Desde a publicação da primeira edição de ‘O Livro dos Espíritos’, por Allan Kardec, a Doutrina Espírita tem, como um dos seus pontos basilares, a crença na pluralidade dos mundos habitados, de conformidade, aliás, com a afirmativa do Mestre Jesus quando diz: ‘Há muitas moradas na casa do Meu Pai!’.
Entendemos que são moradas materiais e moradas espirituais, isto é, as primeiras destinadas à habitação de seres corpóreos e as segundas à habitação de espíritos. Tudo, certamente, compondo o concerto maravilhoso da obra da criação. Tudo servindo aos propósitos da Lei de Deus que é a evolução. Mundos mais atrasados, destinados às encarnações de espíritos atrasados no processo evolutivo. Mundos mais adiantados, destinados à morada daqueles espíritos que já atingiram maior avanço na escalada ascendente.
Agora, os americanos do Norte colocaram mais uma sonda na superfície marciana. Estão à procura de água, porquanto sem este elemento seria impossível a vida, segundo entende a ciência humana. Claro que falamos aqui da vida segundo a conhecemos na Terra, baseada nos compostos de carbono e necessidade da água e oxigênio para a sobrevivência. Mas, será somente esta a forma de vida existente no Universo? Não haverá, neste Universo infinito, outras formas de vida, outras possibilidades de sustentação da existência?
Claro que há! E aqui mesmo no nosso planeta temos prova desta assertiva já que, tanto nas regiões abissais dos oceanos, quanto nos altiplanos do Himalaia, têm se encontrado vidas que se adaptam à falta de oxigênio ou a falta de luz solar. Então, podemos admitir que alhures a vida tenha se adaptado às exigências do meio para continuar existindo. Por outro lado, podemos admitir que haja vidas que ainda não possam ser perceptíveis para os nossos aparelhos detectores.
Tomemos por exemplo as vibrações sonoras. Há sons que os ouvidos humanos não registram. Tanto no sub como no supra som. E, no entanto, eles existem. Tanto que os cães, que têm o ouvido mais capacitado que o do homem, percebem vibrações sonoras que não registramos. E o morcego, que se guia pelo eco? Este animal emite altas freqüências sonoras que, ao baterem nos obstáculos, retornam-lhe ao órgão capaz de registrar, então, a presença dos mesmos. É semelhante ao radar dos humanos.
Ora, o som emitido pelo morcego não é registrado por nossos ouvidos. Dir-se-á, por isso, que ele não existe? Por dedução, podemos aplicar o mesmo raciocínio à questão da pluralidade dos mundos habitados. Pode ser que as sondas humanas não encontrem vida exatamente igual à nossa aqui na Terra. Entretanto, não haverá outras formas de vida?
Por isso, o Espiritismo é afirmativo com relação à habitabilidade dos planetas, porquanto admite vida em infinitas vibrações. Até nos lembramos de um raciocínio formulado por ilustre professora, dizendo: o homem não constrói um palacete e manda seu filho morar na casa do cachorro. Deus, que é Suprema Sabedoria, faria um Universo infinito e somente reservaria para a Terra, um grão de areia na imensidão, a criação humana? Seria um desperdício incompatível com a Superior Inteligência.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e membro da diretoria do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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