... que todo mundo lê!


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Esta coluna tem sido uma espécie de tribuna de discussão sobre a vaidade humana, mas não a concebi assim. Pensei-a como espaço de comentários sobre fatos corriqueiros, de rotina, porém distantes do que poderia chamar de visão de primeiro plano das pessoas comuns. Algo como falar sobre a alegria dos lixeiros ao exercitarem seu trabalho, o mesmo trabalho que certamente, noventa e nove por cento das pessoas não desejariam para si; ou então, sobre o dia-a-dia de velhinhos e velhinhas depositados em asilos por filhos ou filhas que se dizem cansados dos problemas que a convivência com idosos lhes dá(!). Nas últimas semanas, enveredei pelos caminhos tortuosos da vaidade humana ao comentar sobre comportamento em momentos de alta concentração de... vaidades feitas gente. Fiquei com a agradável impressão que não estava sozinho em meus pensares: muitos acompanharam, alguns se emocionaram, outros se puseram a pensar e mudaram posturas. Alguns me disseram que falei o que elas sempre quiseram falar, mas não tinham coragem, ou não lhes ocorria oportunidade. O que este Comércio publica causa movimento. As últimas pesquisas revelam que 93% dos leitores de jornal têm referência sobre o que está neste jornal, todos os dias. É quase massacrante. Se imaginarmos que tal concentração da atenção pública poderia ser usada em benefício de alguém pode ser que não houvesse defesa possível. Tal preocupação é, no entanto, desnecessária. Trabalhamos para o bem da cidade, das pessoas. Entramos todos os dias, às primeiras horas da manhã, em milhares e milhares de residências para informar, contar os fatos principais do dia anterior, agendar os fatos do dia, analisar caminhos, estimular a responsabilidade social. E é de assustar a massa de leitores deste jornal. Pessoas de todas as vertentes políticas, integrantes da nata ou da rapa social, candidatos a celebridades ou gente que faz mas que prefere o anonimato. Uns chegam com estardalhaço, dizendo que lêem e repetem à exaustão, em campanha para garantir referência nos próximos textos. Outros, falam baixo, pouco. Cumprimentam. Criticam. Uns e outros, são essenciais. De resto, é difícil encontrar quem, investido de poder ou em busca de, revele distanciamento sobre a essência do que este jornal publica diariamente. Não há, a rigor, dentre os que decidem ou sejam determinantes em suas funções, ninguém que revele desconhecimento sobre as pautas do Comércio. A maioria absoluta consome informação e não fala nada. Toma suas decisões com base no que lê. No caso específico desta coluna dos sábados, quem se aproxima de mim para conversar certamente vence a timidez – ou exercita a simpatia – e, como dizem os mais jovens, mete bronca. Ouço. Coro; garanto: embora não pareça, sou tímido! Sorrio; quem é que não gosta de alguns tapinhas nas costas? Fico bravo; há quem não entenda que a verdade não tem a cor da cor que a gente mais gosta... Divirto-me com os que dizem que não tenho papas na língua. Fecho o cenho “contra” quem toma meu tempo falando com o intestino e não com a cabeça. Mas aprendo. Assimilo. É isso. A história do jornal que todo mundo lê vale também para quem o faz. Determina constante compromisso de produzir qualidade. Impinge responsabilidade no uso de vírgulas que podem mudar histórias inteiras. Honra quem integra a redação desta casa, mas também desafia: sempre é possível transformar, com a força das palavras, espíritos arredios em cidadãos melhores... seja falando sobre vaidades, emocionando com a história real do menos favorecido, aclarando a mensagem do prolixo ou oferecendo todos os lados de uma questão segundo os pontos-de-vista dos atores do fato, mas sempre preocupado em permitir, a cada leitor, sua própria conclusão. Quando “todo mundo lê”, a responsabilidade se agiganta. Não pode ser de qualquer jeito... OUVIR E ESCUTAR Acompanham as colunas que escrevemos aos sábados Maria e Luís Querino da Silva, Sônia Menezes Pizzo (a Patrícia) e Saulo Pucci Bueno, gente acostumada a conviver em sociedade e ciente das dificuldades que o relacionamento humano determina. Disseram que passava da hora de alguém abordar, com palavras duras e necessárias, a fogueira das vaidades humanas. Concordaram com o que escrevi nos dois últimos sábados. Está dito. Tomara que os destinatários ouçam. E escutem... LIÇÕES Assinei a ação cerimonial do Troféu Mérito Empresarial 2008 da ACIF quinta-feira desta semana, a convite do presidente da entidade, João Carlos Cheade. Quero cumprimentá-lo. Existem empresas e instituições que contratam apresentadores que apenas cumpram os “roteiros” que lhes são apresentados e pactuam com desvios discutíveis nas chamadas normas da “ordem geral de precedência”. Não sabem para que serve um especialista em cerimonial. Ao invés de conquistarem o respeito de seus convidados os lançam a confrontos desconfortáveis e, depois, não entendem por que deixam de contar com seus apoios. Repito: regras sociais não existem por acaso. São o resultado de séculos de convivência humana. E não existem para serem quebradas. Ou adaptadas. Ou desprezadas. Luiz Neto Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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