O avanço da cana e, como conseqüência, de usinas do setor sucroalcooleiro está comprometido na região de Franca. É o que aponta um estudo divulgado ontem pela Secretaria Estadual da Agricultura. Chamado de zoneamento agroambiental, o estudo classifica as áreas do Estado conforme a capacidade de expansão da produção de cana e de instalação de usinas sem prejuízo do meio ambiente. No relatório, os municípios da região têm a maioria das áreas com restrições ambientais para a expansão da cana.
O estudo que leva em conta parâmetros hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos e ajudará no planejamento da expansão da canavicultura. O zoneamento contempla níveis de utilização que num mapa desenvolvido pelo governo foram identificados por cores: verde-escuro (adequada); verde-claro (adequada, com limitações ambientais); amarelo (adequada, com restrições ambientais); vermelho (inadequado).
A região de Franca é uma das que apresentam maior incidência de áreas amarelas com pigmentos vermelhos. Uma das justificativas para essa classificação está no fato de grande parte dos terrenos apresentar declives. As regiões de Ribeirão Preto, Ourinhos e Presidente Prudente foram indicadas como adequadas. O litoral é a faixa do Estado onde estão as maiores concentrações de áreas em vermelho, consideradas inadequadas.
Os critérios ambientais que barram a expansão da cultura estão baseados em dados como a vulnerabilidade das águas subterrâneas, a disponibilidade de águas superficiais e a biodiversidade presente na área.
Para o Governo, o zoneamento será uma ferramenta que auxiliará no licenciamento de novas usinas. O objetivo é tornar a implantação e o funcionamento das unidades ambientalmente sustentáveis. Com o mapa, as usinas já instaladas terão de se adequar quando da renovação de suas licenças, que será feito seguindo as novas normas em vigor.
Se a dúvida dos empresários do setor for quanto à falta de espaço para a expansão da cana-de-açúcar, a Secretaria do Meio Ambiente garante que, segundo estimativas baseadas nos pedidos de licença para novas unidades, até 2010 a área da cultura poderá chegar a 6,2 milhões de hectares. “Nossa idéia não é eliminar a cana do Estado, mas sim fazer um zoneamento que compatibilize o setor com fatores ambientais”, afirmou o governador José Serra, por meio da assessoria de imprensa. Atualmente, a área plantada é de 5,2 milhões de hectares.
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