Nos últimos dois anos, a queda na cotação do dólar fez com que o volume de produtos importados que passa no Porto Seco de Franca triplicassem. Em agosto de 2006, o volume de cargas na estação aduaneira francana, administrada pela Embrate (Empresa Brasileira de Armazéns, Terminais e Entrepostos Ltda), registrou o total de US$ 1 milhão. No mesmo período de 2008, foram US$ 3 milhões - um aumento de 200%.
Segundo Marcelo Serrano, diretor da Embrate, a cadeia produtiva do calçado foi a grande responsável pela entrada de produtos estrangeiros na cidade. Aproveitando-se do dólar baixo, o setor comprou lá fora tanto bens de produção -como máquinas para curtume, empresas de cartonagem e fábricas de calçados - quanto bens de consumo - especialmente agentes químicos e componentes. Estados Unidos e países da Europa e Ásia foram os principais mercados fornecedores. O diretor não tem dados exatos dos valores importados por setor.
Para o professor de Economia do Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), Hélio Braga Filho, o fato de os investimentos terem acompanhado a crescente demanda interna foi decisivo para o aumento das importações. “Quem comprou durante a queda da moeda americana, com certeza, fez um bom negócio”, disse.
A Democrata é uma das empresas francanas que aproveitaram para renovar parte do maquinário. “Hoje, 80% da máquinas que usamos são nacionais, mas claro que o dólar mais barato foi um atrativo para importarmos algumas unidades”, disse o diretor-financeiro, Carlos Roberto Cintra.
MUDANÇA DE CENÁRIO?
Depois de dois anos de recuo, no entanto, o dólar tornou a acelerar nas últimas semanas. Ontem, a moeda chegou a valer R$ 1,95; em julho, a média tinha sido de R$ 1,59.
Mas a alta ainda não empolga os calçadistas de Franca, que acabaram se adaptando à valorização do real diante do dólar. “É muito cedo para pensar em qualquer coisa. Estamos em uma tempestade e devemos esperar a cotação se estabilizar”, disse Carlos de Paula, diretor da Calçados Kissol.
A mesma opinião tem Hélio Braga. “O cenário atual ainda é muito confuso. É melhor aguardar antes de tomar decisões importantes”, disse o professor.
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