Sem alvará da Vigilância Sanitária nem registro no Conselho Municipal das Entidades Assistenciais, a Casa de Recuperação “Encontro com a Vida” funciona clandestinamente em um sítio entre Franca e Cristais Paulista. Lá, abriga 27 ex-moradores de rua e viciados em drogas.
A maioria dos internos soube do funcionamento da casa no Abrigo Provisório da Prefeitura de Franca, onde a entidade mantém seu escritório central. Alguns são levados pelas próprias famílias e outros são encaminhados pela Prefeitura.
Durante o dia, os moradores do local, alguns idosos, perambulam espalhados pelo terreno e, à noite, dormem em uma pequena casa de telhas e janelas quebradas. Alguns se deitam no chão.
As refeições são preparadas sem a menor higiene em um “puxadinho” de bambu que abriga um fogão a lenha e uma pia. O local também serve de depósito para os alimentos.
O diretor da entidade, que não tem ligação de água, luz ou esgoto, Selvino Afonso da Silva, reconhece que a instituição não possui condições ideais de funcionamento, mas promete que, até o fim do ano, vai providenciar a regularização. “A Vigilância não deu o alvará porque a minha cozinha precisa de umas modificações, mas vamos fazer o que precisa”, disse.
Apesar da situação extremamente precária, a entidade recebe moradores de rua encaminhados pela Prefeitura, através do Abrigo Provisório. “Ontem mesmo, a psicóloga e o motorista do Abrigo Provisório, vieram trazer um novo interno para cá”, disse.
As informações contradizem o secretário de Promoção Social, Roberto Nunes Rocha, que reconhece a existência da entidade, mas nega que o Abrigo encaminhe pessoas para lá. “O que acontece é que alguns moradores de rua oriundos da região de Cristais Paulista escolhem ir pra lá”, explicou. Ele prometeu apurar as denúncias e buscar soluções para regularizar a situação da entidade.
Fernando Luiz Baldochi, diretor da Vigilância Sanitária de Franca, informou que o caso pode até ser encaminhado para o Ministério Público. Já a secretária de Saúde de Cristais, Consuelo Raiz, não se mostrou muito preocupada com as denúncias, nem mesmo se deu ao trabalho de perguntar o endereço da entidade para visitá-la. “A cidade é tão pequenininha, né? A gente pergunta onde fica”.
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