Balada trash


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Raves, baladas vip, o som do momento na Europa, últimos lançamentos hollywoodianos para o cinema, jantares sofisticados. Muita gente não dá a mínima para tudo isso e se diverte mesmo é com programas bem menos convencionais e, propositalmente, “trash”. De filme a entretenimento no melhor estilo tosco entre amigos, os “tra-shers” sabem tirar o melhor do pior. Embora a definição de trash movie ainda seja muito discutível, normalmente são produções de baixo custo (filmes B), ou que pelo menos parecem ser. O termo é associado a filmes de terror, mas se trata de uma estética que pode ser usada em qualquer gênero. Rei da categoria, o diretor, produtor e ator de cinema brasileiro, José Mojica Marins, o Zé do Caixão, há mais de 40 anos “amedronta” alguns e diverte milhões de pessoas com seus filmes. A maioria deles conta com títulos que ultrapassam o bizarro como: Inferno Carnal, Estranha Hospedaria dos Prazeres e Encarnação do Demônio. Este último, de 2007, é mais um com o personagem Zé do Caixão e encerra a trilogia iniciada com À Meia-Noite Levarei sua Alma, de 1964, e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, de 1967. Com o seu estilo próprio de filmar, Marins inicialmente foi desprezado pela crítica nacional, mas passou a ser reverenciado após seus filmes começarem a ser considerados cult no circuito internacional. BALADA TRASH Para quem já esgotou as opções de filmes trash nas locadoras, a estudante de ensino médio Carolina Souza Almeida, 17, e sua turma podem servir de inspiração para uma balada diferente. Eles se reúnem em volta de fogueira no meio do nada, se abastecem de alguma bebida quente e contam histórias - de preferência macabras, no estilo “lendas urbanas” - de preferência às sextas-feiras. “É melhor que tudo. Tomamos muito susto e damos muitas risadas dos nossos próprios contos inventados”, disse. Se a pedida é por mais “movimento”, que tal um bar underground ao extremo? Rodrigo Teixeira, 21, é adepto. “Isso é mais que trash. É um estilo. Eu e meus amigos da faculdade estamos sempre procurando lugares assim”, disse o estudante de administração. As festas que ambientam o clima kitsch da década de 80 entram na lista. O intuito é brincar com o imaginário dos trashers, que dançam músicas infantis, bregas, new wave nacional, trilhas de filmes e novelas. O segmento faz tanto sucesso que existe em São Paulo a Trash’80, uma balada exclusiva do gênero. Enfim, em clima de terror, aventura ou revival, se jogar no trash pode ser boa opção de diversão.

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