Há dois meses, o Cemitério da Saudade, no Centro de Franca, está infestado de pulgas. Os pequenos insetos que se alimentam de sangue e podem transmitir doenças têm expulsado os visitantes. O problema teria surgido na quadra de número sete, depois que uma cadela contaminada se aninhou em uma das covas abertas. Até ontem à tarde, o animal permanecia no cemitério.
De acordo com um funcionário que pediu anonimato, o Serviço Municipal de Remoção de Animais, a Carrocinha, foi acionado para fazer a captura da cadela, mas os responsáveis pelo serviço teriam se recusado a atender a chamada. “Falaram que só poderiam vir se ela mordesse uma pessoa”, disse.
O chefe da Vigilância Sanitária, Fernando Baldochi, negou a informação. “Já estivemos lá duas ou três vezes, mas é um animal muito arisco. Ainda não conseguimos pegá-lo”. Para Fernando, a nova lei estadual que proíbe a eutanásia de animais em canis municipais, aprovada em abril deste ano, inviabiliza a captura. “A Prefeitura não dispõe de estrutura para tratar e manter todos os cães abandonados da cidade. Por isso, só recolhemos o cão que ataca alguém ou tem uma doença incurável”, disse.
A área onde existe maior concentração de pulgas passou a ser evitada pelos freqüentadores do cemitério. Um dos encarregados que não quis se identificar chegou a alegar que a praga já tinha sido erradicada com a aplicação de veneno em torno da cova. No entanto, os dez minutos que duraram as entrevistas no local foram suficientes para que as pulgas atacassem a equipe do Comércio. O repórter fotográfico Fred Casagrande foi o mais atingido. “Minha roupa ficou cheia desses insetos. Tentava tirar, mas é difícil, porque eles pulam e coçam muito”.
Segundo a Vigilância, a cadela que causou a infestação será capturada a qualquer momento e levada para o canil municipal, onde ficará por até 90 dias. Se não for adotada nesse período, deverá ser sacrificada.
O responsável pelos cemitérios, Fernando Caetano, não foi encontrado para comentar o assunto.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.