O Grupo de Auto-Ajuda Apoiar está de portas fechadas desde a última sexta-feira, 12. A entidade foi criada há oito anos e atendia entre 400 e 500 pessoas por mês para tratamento contra depressão, ansiedade, síndrome do pânico e fobias. Sem apoio financeiro e com dificuldades para pagar as despesas de R$ 2 mil mensais, a diretoria da ONG decidiu encerrar os trabalhos.
No fim do ano passado, a entidade já havia ameaçado interromper o atendimento. Mas, à época, a advogada Silvana Prado, 50, fundadora e presidente do Apoiar, recebeu promessas de políticos e tentou prosseguir com as atividades. “Mudei de idéia porque o deputado Gilson de Souza prometeu conseguir aprovação como utilidade pública estadual e uma verba para nos ajudar e deixarmos de pagar aluguel. O prefeito Sidnei Rocha disse que liberaria um terreno para construirmos a sede. Até hoje isso não aconteceu” (leia mais nos apoios).
A reunião decisiva que encerrou a ONG ocorreu na semana passada. “Coloquei o cargo de presidente à disposição, mas ninguém quis assumi-lo. Quem vai querer uma dívida de R$ 1.500 por mês?”.
Atualmente, a Apoiar prestava atendimentos num imóvel alugado na Rua José Bonifácio, no Centro. O aluguel custava R$ 500. A entidade ainda tinha despesas com salário de duas funcionárias - secretária e faxineira - e contas de água, telefone e energia. A Prefeitura repassava R$ 7.500 por ano (ou R$ 625 por mês) para a entidade e o restante era conseguido com doações da comunidade, comissão repassada pelas psicólogas que atendiam no grupo e venda de publicidade do Jornal Mente Livre - de circulação mensal. “É desgastante montar o jornal, vender anúncios, receber, fazer entregas. Faz oito anos que o Apoiar está assim e não mudou”, disse Silvana. O Mente Livre trata de assuntos relacionados à depressão, ansiedade, fobias, etc.
Para o tratamento, o grupo oferecia aulas de meditação, ioga, reiki, acupuntura, massagens, grupo de apoio com familiares e reuniões mensais para ajudar na recuperação dos usuários. Psicólogas prestavam atendimento na entidade. Alguns gratuitos e outros a preços compatíveis à renda da pessoa. “Cobrávamos um valor simbólico, cerca de R$ 30, R$ 50 por mês, para o atendimento, bem menos que consultas particulares. As profissionais nos passavam comissão de 20% por atendimento para ajudar nas despesas”, disse Silvana. Os usuários deverão migrar para a rede pública.
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