Pela segunda vez em menos de um ano, Franca vive o problema da escassez de cimento. Há pelo menos dez dias, o produto - indispensável para a construção civil - não é encontrado na maioria dos depósitos da cidade. Construtores e profissionais que dependem da matéria-prima chegaram a paralisar obras por causa do desabastecimento.
No Depósito Araguaia, os clientes já fazem fila de espera. “A procura é muito grande todos os dias”, disse o proprietário Teodomiro Cintra, que não tem previsão de quando voltará a ter o produto no estoque.
Fábricas de pré-moldados, como a Infac, que fica na Avenida Adhemar de Barros, também foram obrigadas a interromper a produção. O dono da empresa, Fernando Caleiro, está revoltado. “É um absurdo isso. Nós dependemos do cimento para tudo e simplesmente não temos onde comprar”, disse.
Donos de lojas acusam os fabricantes de estarem reprimindo a oferta de cimento com o objetivo de forçar o aumento do preço, que hoje está em torno de R$ 18 - o último reajuste foi em setembro do ano passado, quando a saca era vendida por R$ 12.
A Votorantim, que fabrica o cimento Itaú - um dos mais comercializados em Franca - negou que o desabastecimento tenha qualquer relação com os preços. Segundo o diretor comercial da empresa, Marcelo Chamma, a manutenção em um dos moinhos da fábrica de Itaú de Minas (MG), principal fornecedora do mercado francano, é que causou o problema. “Um terço da produção foi cortada e isso afetou algumas regiões”, disse ele. De acordo com o diretor, a situação será normalizada em cinco dias.
MERCADO AQUECIDO
Outro motivo para a falta do cimento é a procura recorde pelo produto no primeiro semestre do ano, provocada pelo crescimento nacional de 8,8% no setor da construção civil. “Esse fator é que impediu que outras fábricas suprissem a demanda temporária em Franca. Todas estão fazendo o possível para atender as suas próprias regiões”, disse Marcelo.
Em Franca, o mercado também está aquecido. Dados da Secretaria Municipal de Planejamento mostram que, desde janeiro, foram aprovados 1.884 projetos de construção na cidade. Desse montante, 1.320 foram para casas, 223 para edifícios comerciais e 17 para indústrias. No mesmo período, também foram autorizados quatro loteamentos. Uma única construtora, a MRV, possui atualmente seis empreendimentos na cidade - um total de 1.300 apartamentos residenciais. Obras públicas como a nova Unesp e a nova Câmara dos Vereadores ajudam a compor o cenário de expansão do setor.
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