Os maiores especialistas em educação são unânimes quanto ao maior entrave para o baixo nível de conhecimento dos alunos brasileiros: falta de leitura. Comprovadamente a escassez de leitura torna-se a grande responsável pelo insignificante nível de aprendizagem concreta em todas as áreas do saber. Somente o pessoal oficial parece buscar a solução com outras atitudes. Essa turma tenta criar outros mecanismos de melhoria educacional.
Principalmente na Câmara Federal, para muitos parlamentares, que se arvoram em educadores no momento de legislar sobre a educação, o que falta não é leitura. Por isso, eles aprovaram um projeto para a volta da filosofia, da sociologia e também da música à grade curricular das escolas. Finalmente o presidente da República promulgou a lei, tornando obrigatória a presença dessas disciplinas nos componentes curriculares básicos, a partir de 2009.
Parte da culpa talvez esteja com o Domiciano, inspirado compositor aqui de Franca. Sua “Massa Falida” despertou o instinto musical do presidente, quando este ainda era sindicalista e fazia passeatas em busca de aumento salarial para os companheiros. Pelo menos nisso, o bom gosto prevaleceu. A mensagem da letra do itirapuãense/francano contagia mesmo a todos. Mas, daí a fazer discurso, apregoando o direito de as criancinhas cantarem na escola (como se elas já não cantassem, mesmo sem lei para isso) e colocar a melhoria da educação na inclusão do ensino de música já é uma escala desafinada.
Filosofia, sociologia e música faziam parte da grade curricular. Devido à importância dessas matérias, em qualquer área de formação escolar, elas nunca deveriam ter saído. Porém, a retirada dessas disciplinas não ocasionou o caos na educação. Por isso, não será o retorno delas que trará melhorias para a escola. O nó cego da questão educacional enrola-se e se aperta em outros cordões. O descalabro todo só será desfeito quando houver apresentação de programas coerentes, com valorização concreta do professorado e do próprio aluno.
Exatamente o aluno deve ser valorizado na política educacional. Ele continuamente é tratado como um coitado e até incapacitado para aprender. Vide a progressão continuada. Esse sistema pode ser considerado o primeiro a desestimular o difícil ato de aprender, de pensar. Outros mecanismos mais pululam (até verbo existe para o presidente: pulula denúncia, mas ele é imune a tudo e também não sabe de nada) nos órgãos responsáveis por gerir a trajetória da educação fundamental, média ou superior.
Mas não há motivo para sobressaltos. Os políticos estão inteiramente insatisfeitos com os resultados das avaliações de ensino. Parlamentares aspirantes a legisladores educacionais estão atentos ao problema. Querem aumentar o conteúdo curricular. Para isso, já apresentaram projetos para inclusão destas novas disciplinas: educação alimentar, cooperativismo, noções de legislação fiscal/ tributária, planejamento financeiro/ pessoal/ familiar, empreendedorismo, direitos da mulher, segurança pública, qualidade total e educação para o pensar.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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