A Polícia Civil começa hoje, às 8 horas, mais uma greve em busca de reajustes salariais e reestruturação da corporação. A decisão foi tomada na última sexta-feira, após uma reunião em que participaram todas as entidades de classe do setor policial civil. Os policiais, no entanto, irão para o local de trabalho normalmente.
Para saber o que devem ou não fazer, os policiais estão sendo orientados por uma cartilha, distribuída em todo o Estado. Entre as orientações, está a de não fazer BOs (Boletins de Ocorrência), excluídos apenas os relacionados a flagrantes, captura de procurados, homicídios e remoção de corpos em casas e vias públicas. Também não deverá haver transferência de presos, atendimento a advogados e oficiais de justiça, além de visitas em presídios. Delegacias especializadas, como a Ciretran, também não deverão funcionar. A greve é por tempo indeterminado.
Esta é a segunda tentativa de paralisação dos policiais em pouco mais de dois meses. A primeira, deflagrada no dia 13 de agosto, durou apenas sete horas e terminou após uma reunião conciliadora entre representantes do governo e dos policiais, realizada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho).
Do dia 13 até a última sexta-feira, os representantes voltaram a se encontrar, mas sem uma decisão sobre o aumento. Os policiais pedem 60% de reposição salarial e a discussão de propostas vem sendo realizada desde o dia 13. “Em 20 dias não se conseguiu chegar a nada. No dia 5 de setembro, o governo ofereceu um acréscimo de R$ 500 milhões na folha de pagamento. Isso ia dar alguma coisa em torno de 7%. Ninguém aceitou”, disse o assessor de imprensa da Adpesp (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), Renato Flores.
Em contraproposta a categoria propôs um reajuste de 15% em 2008, e dois de 12%, que seriam aplicados em 2009 e 2010. A proposta não foi aceita pelo governo Serra. “Essa foi a última proposta que fizemos, o Estado não aceitou e encerrou-se a negociação ali. A juíza deu por finalizada e iniciou o julgamento”, disse Renato.
A assessoria da Secretaria de Segurança Pública disse que vem negociando intensamente com as entidades representativas e que já propôs o aumento de R$ 500 milhões. O governo diz ainda que a greve se deve à “intransigência das entidades representativas” dos policiais e tomará todas as medidas cabíveis para resguardar os direitos dos cidadãos e sua segurança.
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