A Igreja celebra, neste domingo, a Exaltação da Santa Cruz. É a celebração do triunfo da cruz de Cristo, instrumento e sinal de salvação. As leituras proclamadas durante a missão são: Números 21; Filipenses 2 e Evangelho de São João 3.
O símbolo da cruz – braços abertos, unindo céu e terra – santificou todos os cantos da terra e todas as experiências sociais e pessoais da humanidade. A Exaltação da Santa Cruz manifesta, para sempre e para todos, o amor de Deus por nós, levado até as últimas conseqüências por Jesus, o Filho amado, na entrega total de sua vida.
O que Deus quer falar por meio da sua Palavra? A cruz era o instrumento mais cruel e mais horrível dos suplícios. Era a pena reservada aos bandidos, aos escravos, aos revoltados, aos marginais da sociedade culpados de delitos desumanos.
Desde o início da sua história os cristãos escolheram símbolos para exprimir sua fé. Nos túmulos encontramos a âncora, o peixe, o pescador, o pastor, mas não a cruz. Por muito tempo eles tiveram pudor em usar a cruz. Só no século 4º, depois de Cristo, ela se torna um símbolo por excelência e começa-se a fabricar cruzes com os metais mais preciosos e a encastoá-la de pérolas.
Na festa de hoje esse símbolo é proposto à nossa contemplação. Venerar a cruz não significa inclinar-se ou beijar o objeto material e nem mesmo é um objeto que destaca o aspecto do sofrimento e de dor da paixão de Jesus. É a indicação de uma escolha de vida, a de se doar como fez Jesus. Contemplá-la quer dizer tomá-la como ponto de referência da própria vida.
A primeira leitura nos convida a olhar para a cruz, o sinal da nossa salvação.
A segunda leitura é um trecho da carta de Paulo à comunidade de Filipos. Paulo sentia muita alegria por esta comunidade. Mas, entre eles, havia o problema da inveja.
Com muita delicadeza, para não ofender seus amigos, Paulo dá uma palavra também para esse problema. Anteriormente, ele disse: “Nada façais por espírito de vanglória ou poder, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”.
E para convencer mais e mais os filipenses, Paulo introduz, na sua exortação, um hino maravilhoso, composto naqueles anos e cantado em muitas comunidades.
Nele é narrada a história de Jesus: ele, o Filho de Deus, não aproveitou de sua condição divina para ser superior, mas se fez homem (sem perder sua condição divina), e foi desprezado, tratado como escravo, daquele ao qual os romanos reservaram a morte de cruz.
Esse caminho de humilhação de si mesmo, essa descida até o último posto levou Cristo à glorificação. Nós imaginamos Deus como o vencedor, como aquele que pode fazer o que quer, como o ser supremo que cria o universo, para ter alguém que se ajoelhe diante dele, louve sua grandeza e o sirva. Essa imagem não é correta.
O verdadeiro Deus é aquele que revelou seu rosto em Jesus que morre na cruz. Contemplando o Crucificado, percebemos que ele é pobre, não guardou nada para si, doou tudo para nós. Na cruz temos a medida do seu imenso amor por nós e nos é proposta também a medida de amor que somos chamados a oferecer aos nossos irmãos.
O Evangelho de hoje faz parte da conversa entre Jesus e Nicodemos. Jesus lhe fala de si mesmo, na linguagem do Filho do Homem. Jesus fez alusão também à serpente de bronze erguida por Moisés no deserto, que curou os doentes que a contemplavam.
Assim, o Filho do Homem será levantado, diz Jesus a Nicodemos, para que quem nele crer tenha vida plena. Jesus declara que Deus enviou seu Filho ao mundo para a salvação e não para o julgamento.
Jesus será levantado na cruz, que se tornará o sinal de sua glorificação. Na presença de Jesus, especialmente de sua cruz, acontece o julgamento para quem não crê e a salvação para quem aceita sua proposta.
Este anúncio nos enche de alegria e de esperança. É por isso que a cruz de Jesus é gloriosa e não fonte de sofrimento. Pela sua crucifixão, fomos salvos.
A Igreja nos ensina a cantar: “Nossa glória é a cruz onde nos salvou Jesus”.
CRUCIFICADOS E CIRINEUS
No caminho do calvário, Jesus foi ajudado por Cirineu. Foi o gesto da solidariedade. Hoje existem crucificados: os excluídos, os explorados, os doentes, os que passam fome, os que estão sem teto. O tema deste domingo, ajudou-me a lembrar que este jornal tem despertado várias reflexões sobre os crucificados da nossa cidade: é a mídia-solidária. Tais notícias revelam os cirineus que aparecem ajudando aqueles que aguardam esperançosos serem descidos da cruz como ressuscitados. Na cruz ninguém está só! De alguma forma todo coração sofrido é preenchido pela paz que só a fraternidade oferece.
FRATERNIDADE E VIDA
Todas as religiões sérias procuram viver um tripé: a doutrina, ser missionário e a solidariedade. Ao exercer este tripé agradam a Deus porque expressam seu verdadeiro papel no mundo. Todos que semeiam a boa semente da fraternidade que gera Vida devem ser animados e encorajados a dar continuidade. Só encontro Deus se amo meu próximo.
PENSAMENTO
“É dando que se recebe” (São Francisco de Assis).
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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