Prometi a mim mesmo que não voltaria ao assunto, mas perdoem-me meus leitores, os que sei que tenho porque se manifestam e os que nem imagino que tenho, porque vou voltar a falar sim, de educação e elegância em público.
Antes que restem dúvidas, descarto já as questões de elegância de bem vestir. Não é minha seara. Quando muito, em função da experiência e de alguns truques durante bom tempo de convivência profissional com Edson Luiz Fernandes em Franca (aquele que a cronista Patrícia chamava de “Papa da Moda”) e Fernando de Barros, em São Paulo, de quando em quando me arrisco a dar palpites a alguns mais chegados quanto à composição do vestuário pedido nos convites de eventos. Para encerrar de vez o assunto, fecho questão: se os anfitriões escrevem “rigor”, homens e mulheres não devem inventar. Deve ser rigor. Mulheres de microvestidos e homens enternados de tênis no pé deveriam ser barrado na porta, aliás, como era antes. Esporte fino, finíssimo, não é rigor. Mas deixemos para lá.
Falo, isto sim, e de novo, sobre educação e elegância de comportamento. Como diria o matuto, “eita coisa difícir, sô”.
Não posso me queixar. As portas do Castelinho, local do Top of Mind, foram abertas às 8 da noite, no sábado. Em minha coluna daquele dia, a quatro braços com o Alexandre Fisher, designer deste jornal, produzimos um texto sobre cumprir horário, respeitar quem chega na hora, proporcionar aos anfitriões a oportunidade de iniciar as ações cerimoniais no tempo correto. E as pessoas leram o que escrevemos. Aliás, fazia muito tempo que não via, como mestre cerimonialista, tanto zelo com o horário expressado nos convites: 20h30. Os convidados lá estavam.
Acomodar 1,2 mil pessoas não é tarefa fácil mas o pessoal superorganizado do anfitrionismo fez o que pôde: por volta de 21h45 me deram “sinal verde” para iniciar a ação cerimonial: estavam lá as autoridades que comporiam a mesa e os homenageados com os troféus Hors-Concours de Empreendedorismo Social (uma Eliana Justino emocionadíssima), Empreendedor Social (o Wanderley Ferreira devidamente acompanhado pela Dalila Pereira dos Santos e o Cleomar Borges de Oliveira, ícones do Hospital Allan Kardec) e Empresa do Ano (o Magazine Luiza, representado pelo Wagner Garcia da Silva Júnior), bem como maioria absoluta das empresas Top of Mind. Comecei.
O silêncio respeitoso com que fui brindado garantiu, de novo, certeza que o pessoal tinha lido cada linha do texto que publiquei e das matérias que o Comércio publicou durante a semana “estamos trabalhando para que a cerimônia seja rápida e objetiva”. E trabalhamos duro: preparamos a ação cerimonial para durar 3 horas e 10 minutos e a realizamos em 2 horas e 15 minutos. Verdade! Se você não percebeu, premiamos 253 pessoas, empresas e instituições em apenas 2 horas e 15 minutos, inclusos aí a formação da mesa de honra, canto do Hino Nacional, discursos, vídeos, deslocamentos dos homenageados, pausas para fotografias e tudo o mais. Foram 1,87 ações por minuto!
Este mestre cerimonialista deveria estar feliz, mas não está. A partir de um certo momento – e não são todos os que percebem –, como diria o matuto, “desbroncou”. Foi ali pelo início da segunda hora: passei a gritar, para continuar a apresentação. Competiam comigo vários – claro que não todos – daqueles que já tinham recebido suas premiações e convidados que não sabem que a paciência é virtude difícil de ser praticada sempre com respeito.
Lancei o primeiro pedido: “por favor, peço silêncio àqueles que ainda não foram premiados”. Não adiantou. Aumentei ainda mais o volume da voz mas não quero esticar mais o assunto. A paciência humana, aquela virtude mágica que faz crescer e ser respeitado quem a tem, seguramente anda em queda livre.
Certamente estou ficando velho. Cada vez mais experiente, mas velho. É a minha paciência que anda se esgotando. Disse à Fernanda Bufoni, titular da Insight deste jornal, durante um almoço em nosso restaurante cá do Grupo, que penso em me aposentar como mestre cerimonialista. Ela me disse: “aposente-se coisa nenhuma. Cobre mais caro”. Está certa ela. Aí, meus contratantes se recusarão a pagar e eu não serei mais obrigado a ficar afônico porque tem gente que não sabe conviver em público com educação e elegância.
ESTOU HONRADO
Agradeço ao Wanderley Cintra Ferreira, que foi conversar comigo durante o Top of Mind, sobre a coluna em que recomendei aos convidados “chegarem no horário” e “fazerem o silêncio ideal” para que a cerimônia pudesse transcorrer eficiente e eficaz. Me disse que levará a coluna à casa dos Rotarys, onde se cultua o protocolo e o cerimonial como ferramenta determinante de congraçamento entre os iguais. Honra-me a lembrança.
“PORQUES”
Agradeço também às manifestações de dezenas de leitores que me pararam nas ruas ou fizeram telefonemas para dizer que “já era hora de alguém dizer aquelas coisas”, porque “não dá mais para freqüentar eventos onde impera a baderna e o desrespeito”, porque “as pessoas, quando bebem, perdem os limites”, porque “o respeito humano tem sido atirado à lata de lixo”. Tem inúmeros outros “porques”. Agradeço a todos. Sinal que ainda há esperança...
TAMBÉM LÁ FORA
Do Alexandre Fisher, que mora nas imediações do Castelinho: “Quando me vi obrigado a transitar pela Avenida Miguel Sábio de Mello, em frente ao Castelinho, no horário programado para o início da cerimônia do Top of Mind, me apavorei. Lembrei-me do tumulto próprio que grandes eventos causam na região. Grata surpresa: o trânsito fluía normalmente em ambos os sentidos e não havia sequer engarrafamentos. Parabéns à educação e ao respeito com que os convidados se portaram. Que sirva de exemplo”. Isso, Alexandre. A maioria merece aplauso sim...
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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