Avó de irmãos esquartejados pela madrasta e pelo pai mora em Franca


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SURPRESA - Irene Lopes dos Santos e a foto da filha Cláudia Lopes dos Santos reproduzida no jornal: reencontro depois de 18 anos separadas
SURPRESA - Irene Lopes dos Santos e a foto da filha Cláudia Lopes dos Santos reproduzida no jornal: reencontro depois de 18 anos separadas
A dona de casa Irene Lopes dos Santos, 56, assistia à televisão na noite do último domingo quando foi surpreendida com a foto da filha mostrada durante a notícia dos irmãos sufocados, queimados e esquartejados pelo pai e madrasta em Ribeirão Pires. Depois de ficar 18 anos sem notícias da filha Cláudia Lopes dos Santos, 32, a senhora não imaginava que a reencontraria por causa de uma tragédia que chocou o País inteiro na semana passada. Cláudia é mãe de João Vítor, 13, e Igor, 12, mortos cruelmente no dia 5. Ela não está envolvida no assassinato. Irene nasceu na Bahia e mora em Franca desde 1990, quando se mudou de São Paulo para uma missão religiosa na cidade. Ela é evangélica. Ainda comovida com a morte dos netos e reencontro com a filha, Irene recebeu a reportagem em sua casa, ontem. A residência onde vive com o atual companheiro e dois dos quatro filhos é simples, fica nos fundos de um corredor estreito, na Vila São Sebastião. Sentada no sofá da sala, falando baixo e com sotaque nordestino, se controlou durante a entrevista para não chorar. Cláudia é a terceira dos quatro filhos. Aos 14 anos, fugiu de casa, quando a família morava em Itaquaquecetuba. A mãe não soube explicar os motivos. “Perguntei, mas nem ela se lembra por que fugiu. No dia chamei ela para ir à igreja várias vezes, mas certa hora saiu correndo, sem levar nada, e nunca mais voltou”. Durante anos, Irene procurou pela filha, mas com discrição. “Não queria expor a vida particular da gente, como está acontecendo agora. Por isso não procurei a polícia nem televisão para tentar achar”. Sem que esperasse, reconheceu a foto da filha na televisão. Apesar de ter mudado fisicamente, a identificou. “Primeiro vi as crianças, depois ela. Falei: ‘ai, é minha filha’. Não sei como reconheci. Mas meu coração bateu mais forte na hora. Disse: ‘tenho certeza que é ela’”. Irene ligou para a delegacia de Ribeirão Pires em busca de informações. Conseguiu confirmar que era sua filha. A partir do telefone do atual marido dela, passado pela polícia, conseguiu marcar o reencontro. Irene e o atual companheiro, o comerciante Donizete Silva, 53, conseguiram carro emprestado com um amigo e seguiram para Ribeirão Pires, distante 419 quilômetros de Franca, na segunda-feira. “Na noite de segunda para domingo, a Irene só chorou. Até eu que não conhecia a Cláudia fiquei agoniado e emocionado”, disse Donizete. Mãe e filha se reencontraram no hospital. Cláudia estava internada por problemas de pressão. Ela tem tido crises desde que soube do assassinato de dois dos seis filhos. “Não dá para descrever. A gente não conseguia nem falar só chorava”, disse Irene, que não sabia da existência dos netos. “Ela achava que eu já tinha morrido”. Irene e a filha estiveram em São Paulo na quarta-feira para participar do programa A Tarde É Sua, apresentado por Sônia Abrão, na Rede TV. A reportagem tentou falar com Cláudia, mas seu atual marido e seu advogado disseram que ela estava com pressão alta novamente e não falaria com a imprensa. A outros veículos, havia declarado que deixou os filhos porque o pai deles batia nas filhas do primeiro casamento dela. ENTREGA Desde que soube da morte de João Vítor e Igor, Irene ficou perplexa com a crueldade dos assassinos. “Como toda notícia que a gente vê, fiquei chocada, horrorizada. Como é que pode um ser humano fazer esse tipo de coisa?”. A avó das vítimas prefere não julgar os assassinos. “Olha, filha, a Justiça não pertence a mim. Acho que a Justiça maior é Deus. Trazer meus netos de volta não vão trazer, já foi”, disse, segurando o choro. No momento, a maior preocupação dela é amparar a filha que perdeu dois filhos de maneira trágica. “Para dizer a verdade, não deu nem para pensar nos assassinos, sabe? Meu pensamento está voltado agora só para minha filha, o sofrimento dela. Em relação aos meus netos, a dor foi grande, mas eu tentei confortar minha filha e pedi para não sofrer por causa das crianças. Elas não estão sofrendo mais. A dor deles acabou. O que eles tinham de sofrer acabou. Depois que morreu, estão nos braços de Jesus”. Mãe e filha têm se falado por telefone e planejam se reencontrar.

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